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Fotos: Divulgação

As fotos do frio no leste europeu são torturantes. Um homem
usa saco plástico para se proteger do vento gelado que lhe castiga, mas
faminto que está ele insiste em pescar através de um pequeno buraco que
abriu no gelo de um rio congelado na Ucrânia. Só naquela região, 40 almas
subiram ao céu deixando seus corpos sem vida nas frias ruas da Ucrânia.

Um país à frente, na República Checa, os sem-teto dormem
tiritando, enquanto ao lado o gelo cobre as lixeiras de forma assustadora.

Na terceira foto, um ancião dorme na parada de ônibus na
cidade de Praga, e já, já será mais um corpo a ser encontrado morto pelo
frio.

Noutra foto, um morador mostra queimaduras profundas,
causadas pelo frio de Bucareste, na Romênia.
Não é a Europa dos cartões postais, onde o frio é lindo e
romântico. Olhando as fotos, me recordei dos anos 80, quando pisei em
Helsinke, na Finlândia. Era minha primeira vez na terra do sol da meia
noite, do frio intenso e da aurora boreal. Andando pela Finlândia, que
naquele ano inteiro havia tido míseros 12 dias de sol e o resto do ano só
céu nublado, reparei que não se via uma pessoa pobre que fosse.
Impressionado, perguntei para minha amiga Johanna sobre a pobresa na
Finlândia. E ela friamente me respondeu:
- Não temos pobres, Alan. E se algum vem de fora, o
problema se resolve no inverno.
Em outra vez que estive lá, queria ir na Lapônia, a terra
do Papai Noel. A temperatura média da Lapônia finlandesa é negativa, pois
ela está próxima do Círculo Polar Ártico, e deve ser um lugar
impressionante. Mas fui “incentivado” a não ir, pois me disseram:
- Está 40 abaixo de zero na Lapônia. É possível que você vá
e saia de lá como “um problema resolvido”.
Olhando as fotos desses próximos morrendo de frio lá perto
da Finlândia, hoje entendo exatamente o que aquela senhora de hálito frio
queria me dizer. Eles são problemas que não existirão no verão que vem.
Foram resolvidos no inverno.
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