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Alan Caldas

Jornalista

Matar líder custa muito caro

 

Todos falam que se o Veronez Antônio de Al­meida Bueno estivesse vivo, ele certamente seria o futuro prefeito de Dois Irmãos. Pode ser que sim. Pode ser que não. Eleição, quem decide é o eleitor.

 

Veronez foi apenas mais um dos tantos que esta cidade matou, politicamente, no curso destes 25 anos em que estou aqui.

 

O primeiro, que me lembro, foi o nosso ami­go Eliceu Arno Schneider. Eliceu foi sem dúvida o mais atilado dos vereadores que esta cidade teve. Foi inteligente. Foi astuto. E foi popular. Eliceu era agrimensor, vinha abençoado por um tio dele, o Vergílio, que era batateiro, e que tinha imensa as­cendência sobre o eleitorado, especialmente do in­terior. Mas Eliceu tinha luz própria, não precisava do tio ou de amigos para ser o que era. E é isso que faz um líder: sua luz própria.

 

Na política se vê muito sujeito “importante” que só é o que é porque um dia alguém viu que ele poderia ser algo e mandou ele vestir isso, colocar aquilo, fazer esta ou aquela cara, e sair bem na foto.

 

Esses se tornam alguém. Mas, no fundo, não são alguém. Eliceu não era assim. Ele era ele. Meio farrista. Meio beberrão. Meio desbocado. Piadista, sem dúvida. E até mal hu­mo­rado. Mas as pessoas gostavam dele porque ele era ele. Eliceu não era o discurso de outros. Tinha personalidade. Tinha cara. Fazia o que fazia e os que gostavam dele continuavam a gostar.

 

Veronez Bueno sempre foi ele. Conheci a criatura, profundamente. Fui amigo. Desafeto. Depois qua­se voltamos a ser amigos. Mas ele morreu.

 

Quem matou politicamente o Eliceu foi o PP, o Partido Progressista.

 

Quem matou o Veronez foi o PMDB.

 

Assim como o Eliceu deveria ter sido o vice de Romeo Wolf e não foi porque, segundo dizem, o se­nhor Justino Vier ameaçou ser candidato na Are­na 2, lançando, em paralelo, uma chapa contra o Romeo Wolf (na época podia), também assim Ve­ro­nez deveria ter sido vice de Juarez Stein, quando Arnildo Mallmann, sabe-se lá Deus porquê, foi ser vice do Juarez e massacrou o jovem Veronez.

 

Eliceu se perdeu na vida. Passou a beber, um pou­quinho mais que nós, e isso foi sem dúvida a sua desgraça. Perdeu o gosto pela vida. E morreu. Veronez estava tentando se realinhar, mudou de ca­sa, de esposa, e havia em seu olhar, após a derrota da eleição passada, um desejo de acertar. Mas os caminhos do Senhor são misteriosos. Deus levou tan­to o Eliceu quanto o Veronez. E hoje PP e PMDB amargam esse fato.

 

O fato de terem massacrado os únicos líderes reais que surgiram, nesses anos todos.

 

E tem, hoje, de se equilibrar na cena política com pessoas que podem ser boas, queridas e de­centes, mas não são, nem de perto nem de longe, o que foram, um dia, os únicos líderes reais que esses partidos tiveram. E massacraram.

 

A história abençoa nossos acertos. E cobra caríssimo nossos erros.

 

E o que der na eleição de 5 de outubro certamente será (parte do) preço.

 

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