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Cada cabeça é uma sentença.
A mente humana se adapta a tudo, e por isso existe eleitor de
todos os naipes no baralho da eleição. Por exemplo:
Tem eleitor que só vota em pessoa sincera. Outros só votam no
“mais malandro”.
Uns desejam o representante bonzinho. Outros o líder durão.
Alguns votam no que ouve as pessoas. Outros no que faz e
pronto.
Alguns querem como líder um paizão. Outros não querem que
lhes coce a cabeça.
Cada um sabe de si, e por isso uns votam em homem, outros em
mulher e outros, ainda, os da Banda GLS, sonham ver um “homo” no Poder.
Tem quem vota na experiência. Outros num jovem sem prática.
Há quem vote em quem doura a pílula. E tem os que querem quem
não mascare os fatos.
Certo eleitor só vota em quem conhece. E há aqueles para os
quais “é tudo igual”.
Tem eleitor que só vota em quem tem programa. E eleitor que
nem sabe o que é um programa.
Tem eleitor que só vota em quem é fiel à esposa. E tem o que
só se identifica com quem tem muitas mulheres.
Tem quem diz em quem a mulher vai votar, e ela vota. E tem
aqueles que perguntam para mulher em quem devem votar, e votam.
Tem quem só vota em quem é bem humorado. E quem só vote no
sujeito que parecer ter chupado limão.
Há eleitor que se preocupa com aparência. Outros não reparam
se o sujeito está barbudo, mal-vestido e com cabelo desgrenhado.
Para uns o candidato deve ser religioso, pois política é
coisa de Deus. Para outros religião é dispensável, pois política é coisa do
Diabo.
Tem eleitor que só vota “nos daqui”. E tem quem só vota nos
“lá de fora”.
O símbolo do político é o sujeito arreganhado, e tem eleitor
que adora isso. Mas existe eleitor que só vota em quem tem cara fechada.
Há eleitor pussuca que vota em quem dá dinheirinho. E tem
eleitor que se sonhar que você dá dinheiro, jamais votará em você.
Existem muitos outros grupos de eleitor, como os que só votam
nos “irmãos” de religião ou seita, os que só votam “no partido”, os que só
votam nos “da raça”. Eleição após eleição, o que aprendi no jornalismo é que
a simpatia para uns é antipatia para outros.
Saber ser uns para uns e outros para outros é tudo o que o
candidato tenta. Nem sempre consegue. Por isso nem sempre ganha.
Mas quando consegue é certo que ganha.
E é nessa equação do ser e não ser que reside toda virtude e
todo o vício do que é a bondade e a desgraça da política. E dos políticos. E
nossa.
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