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- Tudo bem, Senhor. Então vamos ter de viver na Terra.
- Como assim “vamos”, meu filho? É destino, entende? É a
Terra. O teu planeta. E tem Sol para aquecer, Lua para divertir e regular as
marés, e terá florestas, montanhas e gente e...
- Aí que está o problema, Senhor.
- Mas filho, que mal há em ter gente?
- Ah, Senhor. O Senhor não sabe o que é isso de viver com
gentes.
- Como “não sei”. Eu é que criei as gentes...
- É, mas o Senhor é único, não tem opiniões contrárias.
- E o que tem de mais nisso?
- É que gente tem o fator humano.
- Mas e daí?
- O Senhor imagina o que o fator humano fará no ser que o
Senhor criou?
- Não tinha pensado nisso...
- Pois deveria. De que adianta florestas lindas, mar de
liberdade, montanhas de paz, as pedras, céu e estrelas se cada um vai ter
opinião diferente sobre isso.
- Como assim? Por acaso o mar vai ser um para você e outro
para outros?
- Não só o mar, mas as montanhas, os rios, o céu... e vai ter
até quem não acreditará no Senhor.
- O quê!!!! Tem certeza?
- Senhor? Pelo amor de Deus! Sou gente. Tenho certeza, sim.
- Então você não quer ir para a Terra?
- Quero, sim, porque é maravilhosa, tem céu, floresta, mares,
montanhas....
- Mas filho, o que afinal você quer?
- Quero não ter de viver com gentes.
- Quer a solidão?
- Não, só quero ausência de gentes. E de opiniões.
- Como assim? Não entendi.
- Faça as gentes deixarem de lado o fator humano.
- Meu filho?
- O que é senhor?
- Quer saber: Vai se catar! Tire logo essas asas e se jogue.
Te vejo na volta.
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