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Nos últimos anos tenho me
dado o trabalho de não deixar passar em branco o dia do trabalhador em
educação, aquele que transforma o chão da sala-de-aula nos desafios mais
ousados, pois teima que é capaz de fazer o outro compreender o mundo,
construir conhecimento, compartilhar suas idéias, sempre acreditando num
mundo melhor.
Pois bem, “professar”, no
mundo atual, e ser acreditado pelos que nos cercam, tornou-se quase arte, e
ao mesmo tempo uma profissão um tanto não reconhecida, como o era nos tempos
de minha infância, ou no tempo dos meus pais e avós.
Afinal, o mestre, era o que
sabia e entendia de tudo e por isso dava muitos conselhos. E seus conselhos
sábios,(pasmem!) eram ouvidos e serviam de modelo a gerações, o que inspirou
muitos filmes sobre o assunto. Desde Sidney Potier encenando o professor
negro em “Ao mestre com carinho”, passando por “Mr. Holland”, um professor
de música brilhantemente protagonizado por Richard Dreifuss. Mas não posso
deixar de citar, o marcante “ Sociedade dos Poetas Mortos”,(carpe diem!) com
Robin Willians. Estes filmes marcaram época e reconheceram uma classe que
durante décadas ocupou uma posição destacada na formação e construção da
sociedade.
Li um artigo na revista
“Educando”(julho-2005), um artigo sobre a “Síndrome de Burnout”, de Marcio
Augusto Martins, psicólogo e consultor de projetos.(Burnout são duas
palavras do inglês em que “Burn” significa queimadura e “out”, fora, saída.
Portanto, “perder o fogo”, “perder a energia” seria a explicação para esta
doença do professor moderno, que gera desinteresse, estresse, falta de
tempo, falta de criatividade, ócio.
Este Dia do Professor para
mim, professora por 25 anos, “aposentanda” pela rede particular de ensino,
me faz refletir sobre esta crescente demanda exigida ao professor, visto
pela comunidade escolar como mestre, amigo, pai, ou como a única pessoa
capaz de proporcionar futuro. É muita responsabilidade, sem considerar as
tarefas burocráticas da profissão.
Muitos professores se
encontram cansados, abatidos, sem vontade de ensinar, ou seja, parece que
estamos tratando de um professor que desistiu. No artigo, uma afirmação que
me incomodou bastante foi a seguinte: “O desencanto dos professores, doenças
que estão sujeitos, má qualidade do ensino e o papel das instituições são
alguns dos problemas enfrentados na prática docente que podem contribuir pra
o Burnout.”
Sim, os professores também
sofreram as intempéries do mundo moderno. Mas o mesmo artigo lembra “Quem
cuida tem que ser cuidado”. É importante não esquecer o corpo, a mente, o
coração deste professor. Temos que evitar o estresse, criar antídotos para
esta doença. Temos que incentivar as atividades físicas, o convívio social,
enfim coisas que façam os professores serem felizes, como eram os antigos
mestres embaixo das árvores, rodeados por seus aprendizes, ávidos pelo
saber, com sede do desconhecido, junto à natureza.
O professor precisa de ajuda
também, para resgatar sua capacidade de amar o que faz, o que sempre
caracterizou seu perfil. Com ou sem poesia, ser mestre, para mim, ainda é
desconstruir e (re)construir mundos, crenças, formas de enxergar o mundo
sempre com um novo olhar: a eterna esperança de que a geração mais jovem
sempre terá mais tempo de fazer o que não terminamos nunca de fazer: o ciclo
renovável da escola, da vida, do amor, da justiça social, da busca constante
de ser alguém, mesmo que anônimo, e deixar seus sinais, dentro e fora de
toda e qualquer escola.
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