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Angela Dillenburg

Jornalista & Professora

Mais uma vez, Professor(a)

 

Nos últimos anos tenho me dado o trabalho de não deixar passar em branco o dia do trabalhador em educação, aquele que transforma o chão da sala-de-aula nos desafios mais ousados, pois teima que é capaz de fazer o outro compreender o mundo, construir conhecimento, compartilhar suas idéias, sempre acreditando num mundo melhor.

 

Pois bem, “professar”, no mundo atual, e ser acreditado pelos que nos cercam, tornou-se quase arte, e ao mesmo tempo uma profissão um tanto não reconhecida, como o era nos tempos de minha infância, ou no tempo dos meus pais e avós.

 

Afinal, o mestre, era o que sabia e entendia de tudo e por isso dava muitos conselhos. E seus conselhos sábios,(pasmem!) eram ouvidos e serviam de modelo a gerações, o que inspirou muitos filmes sobre o assunto. Desde Sidney Potier encenando o professor negro em “Ao mestre com carinho”, passando por “Mr. Holland”, um professor de música brilhantemente protagonizado por Richard Dreifuss. Mas não posso deixar de citar, o marcante “ Sociedade dos Poetas Mortos”,(carpe diem!) com Robin Willians. Estes filmes marcaram época e reconheceram uma classe que durante décadas ocupou uma posição destacada na formação e construção da sociedade.

 

Li um artigo na revista “Educando”(julho-2005), um artigo sobre a “Síndrome de Burnout”, de Marcio Augusto Martins, psicólogo e consultor de projetos.(Burnout são duas palavras do inglês em que “Burn” significa queimadura e “out”, fora, saída. Portanto, “perder o fogo”, “perder a energia” seria a explicação para esta doença do professor moderno, que gera desinteresse, estresse, falta de tempo, falta de criatividade, ócio.

 

Este Dia do Professor para mim, professora por 25 anos, “aposentanda” pela rede particular de ensino, me faz refletir sobre esta crescente demanda exigida ao professor, visto pela comunidade escolar como mestre, amigo, pai, ou como a única pessoa capaz de proporcionar futuro. É muita responsabilidade, sem considerar as tarefas burocráticas da profissão.

 

Muitos professores se encontram cansados, abatidos, sem vontade de ensinar, ou seja, parece que estamos tratando de um professor que desistiu. No artigo, uma afirmação que me incomodou bastante foi a seguinte: “O desencanto dos professores, doenças que estão sujeitos, má qualidade do ensino e o papel das instituições são alguns dos problemas enfrentados na prática docente que podem contribuir pra o Burnout.”

 

Sim, os professores também sofreram as intempéries do mundo moderno. Mas o mesmo artigo lembra “Quem cuida tem que ser cuidado”. É importante não esquecer o corpo, a mente, o coração deste professor. Temos que evitar o estresse, criar antídotos para esta doença. Temos que incentivar as atividades físicas, o convívio social, enfim coisas que façam os professores serem felizes, como eram os antigos mestres embaixo das árvores, rodeados por seus aprendizes, ávidos pelo saber, com sede do desconhecido, junto à natureza.

 

O professor precisa de ajuda também, para resgatar sua capacidade de amar o que faz, o que sempre caracterizou seu perfil. Com ou sem poesia, ser mestre, para mim, ainda é desconstruir e (re)construir mundos, crenças, formas de enxergar o mundo sempre com um novo olhar: a eterna esperança de que a geração mais jovem sempre terá mais tempo de fazer o que não terminamos nunca de fazer: o ciclo renovável da escola, da vida, do amor, da justiça social, da busca constante de ser alguém, mesmo que anônimo, e deixar seus sinais, dentro e fora de toda e qualquer escola.

 

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SulMix - Angela Dillenburg... Jornalista & Professora... Leciona Informática no colégio Sinodal... Música no Centro de Educação Smiky... Voluntária no projeto de música de um grupo de cantores infanto-juvenis...

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