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Quem lê meus textos, sabe
que não gosto de agredir ninguém, que não costumo usar as palavras como
porrada. Gosto de deixar escrito o que vai pela minha alma.
Recebi a notícia da demissão da professora, cantora, promotora
cultural, mãe, esposa, nossa amiga Lúcia Passos.
Não me conformo. Não
aceito. E sei, que muito custará ao município de São Leopoldo, por esta nova
política da UNISINOS, de cortar o que jamais deveria ser cortado, de tirar
da linha de frente o que leva internacionalmente esta instituição por tanto
tempo.
Depois da morte do Zé
Pedro Boessio e seus filhos,( ele, meu mestre e seus filhos meus alunos)
naquele momento, para mim, no setor cultural e musical desta cidade foi a
notícia que mais doeu e me fez chorar. Chorar por morte é ausência, é perda
sem volta, é partida sem retorno. Chorar por atos e estratégias quem sabe
econômicas, ou novas e modernosas estratégias de gestão, isto chega a ser
mais que desumano. É incompreensível. Pois chorei, desta vez, também de dor,
pela Lúcia, com a sensação de perda, igual a morte.
Lúcia e Zé foram a minha
academia de música. Não aprendi em cursos oficiais de música o que aprendi
com eles. Me formei na Unisinos em jornalismo, e na época não cantava no
coral da Unisinos. Voltei para a Unisinos por causa deles.
Sou fundadora dos corais
do Colégio Sinodal, e minha escola de regência, de cantar com alegria, com
aquela boca aberta transbordando emoção para as pessoas ao nosso redor ou
em nossa frente, isto eu aprendi com Zé e Lúcia.
Quando a Lúcia continuou
o trabalho de Zé, no setor cultural da universidade todos nós já sabíamos
que estávamos perdendo um pedaço da Lúcia nossa, no seu trabalho específico
de técnica vocal, de cantora lírica, mas ela precisava continuar a missão.
Viver o coral e a
orquestra sem o Zé, só foi possível tendo uma Lúcia e seus discípulos(não
vou citar todos pois com certeza esquecerei alguém) para segurar aquela
barra que abalou a todos nós.
Lúcia, LÚCIA (com letra
maiúscula) com aquela voz firme e forte que outro dia ainda me deu aquele
abraço, aquela energia que a gente nunca perde de quem um dia foi seu
aprendiz. Como ela faz com todos seus aprendizes.
Pois bem Lúcia, este aqui
é o meu protesto virtual, no site da Sulmix, para todo mundo que acessa
Internet saber e se revoltar contra esta decisão de te tirar o que te
pertence. Tomei a liberdade em escrever para te reverenciar, para comentar a
injustiça em ter que ouvir os Sinos de Natal com um ouvido surdo. De olhar
para o coral e ter um olhar cego. Pois não estarás lá.
Tu sabes fazer bem palco
e bastidores não merecia isto que aconteceu e acredito que cada (ex)
coralista, cada “filho teu/filha tua”, que passou pelas tuas mãos, chora
contigo uma decisão que com certeza, foi bem de gabinete. Estas decisões
bur®ocráticas não apagarão nunca os passos de Lúcia Passos. Teu sorriso, tua
força, teu brilho no olhar com a chegada da Júlia, teu marido, teu choro
quando o Zé se foi, tua escolha pelo Sul para ser teu lugar, tua morada.
Podes ter certeza que esta “ falsa hospitalidade” daqueles que te acolheram
e agora te dispensaram isto não é a característica de nós leopoldenses, que
acolhemos a todos, desde o primeiro imigrante que apareceu por aqui. Pois tu
és o símbolo daquelas pessoas que adotam uma cidade, ama e canta sua vida.
Preparaste toda uma geração. E te aprontaram essa, no final do ano, como um
grande presente de Natal, que virou um presente de grego.
Que no Orkut, que na
Internet, que entre todos os coralistas e ex-coralistas, que entre todas as
pessoas do Brasil e mundo que um dia te conheceram demonstrem seu repúdio,
sua revolta. Nossa voz ninguém irá calar. Tu nos ensinaste este poder e dele
faremos uso sempre. Aprendemos contigo e sempre continuaremos contigo. Com
ou sem a Unisinos.
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