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Recentemente publiquei uma
coluna em que mencionava a experiência maravilhosa que tive ao ter contato
com uma escola municipal leopoldense integrante do Projeto de Férias. Mesmo
com todo o calorão, a comunidade encontrou na escola uma opção para o verão
dos “sem-verão”. Recreação esportiva, aula em sala de aula, merenda gostosa,
atividade com música, oficinas artísticas para as mães das crianças. Tudo
fazia pulsar uma boa e grande idéia de oferecer à periferia o espaço público
em plenas férias escolares com nova roupagem. Isto é uma grande idéia.
Pois bem, depois da
repercussão, dos comentários de professores envolvidos no projeto, quanta
gente conseguiu enxergar coisas que normalmente não se vê, quando pegamos a
freeway e rumamos ao litoral norte do Rio Grande do Sul. Nós, os grandes
privilegiados, “ratões de praia de fim de semana”, saímos em busca de
frescor, de água em abundância e poder escolher: ou um lugar ao sol ou um
lugar afastado do sol, ou cercado de sol, mas com a cuca fresca...
Ao retornar de uma das
“indiadas” de final de semana, após o feriadão de portoalegrenses retornando
à capital, observei, na freeway, que o menor deslize poderia ser a causa de
um acidente maior. Mas os motoristas estão mais conscientes. Ao menos, ao
escutar as mensagens do locutor esportivo, orientando a todos que tivessem
calma, e que retornassem com cuidado, parecia que todos atendiam com atenção
ao pedido feito. Em alguns pontos da estrada, quando os veículos reduziam a
velocidade, a tempos atrás, quando se ligava o sinal de alerta, eu ficava
observando pelo espelho retrovisor, quem bateria na traseira. Havia uma
pressa exacerbada em voltar que eu chegava a me perguntar porque aquelas
criaturas teriam ido a algum lugar, pois se estavam com aquela pressa toda
para voltar... Mas neste último final de semana, ao ligar o sinal de alerta
observei um fenômeno pelo retrovisor. Uns dez carros atrás de mim, ainda
distantes, pouco a pouco reduziram a velocidade e ligaram também os seus
sinais. Carros novos, outros mais velhos mas bem cuidados. Será que
encontrei quem sabe na estrada uma nova safra de motoristas de finais de
semana? Seria um alívio.
Mas nem tudo são flores.
Minha colega de trabalho, esperava com ansiedade o último domingo para
assistir ao show do grupo Revelação, numa casa noturna, em Tramandaí. Foi ao
evento e teve uma grande decepção. Sentiu um puxão na bolsa, que era com
fecho e outro tipo de alça por cima e cadê seu celular. Foi queixar-se ao
segurança explicando ao fato, já que ainda nem tinha começado o show e teve
a grande surpresa em ouvir um “calma querida, isto acontece todas as noites”
tipo uma afirmação de que não era para ela se estressar considerando fato
como algo absolutamente normal. Isto que ao entrar no local, foi revistada
até os cabelos, mostrando que a segurança era eficiente. Pelo menos algumas
pessoas que conheço que trabalham em casas noturnas, no setor de segurança,
teriam o cuidado em levar a cliente a uma sala, quem sabe da gerência,
oferecer uma aguinha e ao menos um apoio moral e não esta grosseria dita por
um funcionário mal pago, quem sabe, mal empregado, o que não justifica o
procedimento verbal do indivíduo. Como toda a jovem impetuosa ela disse
alguns impropérios ao segurança e foi retirada do show. Saldo para lá de
negativo: não viu o Revelação, teve o celular roubado e teve aquele
comentário fabuloso do segurança a quem ela se dirigiu. Quase que eu disse a
ela, por que tu saíste de casa, hem, guria?
Coisas de férias, coisas de
verão. Sem contar a história do paraibano, ou cearense sei lá de que parte
do Nordeste o Marcone é. Mas ele me ofereceu aquelas mantas e redes na beira
da praia e fiz um comentário sobre a proliferação dos vendedores de rede e
mantas e ainda acrescentei algo sobre um vendedor que ficava na rótula do
Rio Branco, em São Leopoldo. E ele mais que rapidamente fala: “ah aquela
rótula que fica no entroncamento da Av. São Borja com a Av. Feitoria, em
frente ao Banco do Brasil e da Sociedade Rio Branco?” (...) Silêncio e
depois a gargalhada. Não é que aquele “cabra danado nordestino” já tinha me
oferecido rede aqui na cidade? Rimos muito e acabei comprando rede, manta
com todos os descontos possíveis e inimagináveis.Como toda a “veranista”que
se preza, realizei um dos tantos sonhos de consumo, dando cara nova aos
móveis já não tão novos. Será que ainda existe alguma praia do nosso litoral
gaúcho onde a gente não encontra os ambulantes? Não sei. E também tenho
minhas dúvidas se a manta não está sendo tecida em algum lugar bem pertinho
daqui. Desconfiança esta dita pelo meu irmão, sorrindo, afirmando que jurava
ter visto uma fábrica destas mantas lá pelas bandas de Gravataí.
Na dúvida, deixa estar. Já
que não fui para o Nordeste, um pedaço dele veio até mim... Eta cabra, que
férias boas. Mas bah tchê, coisas de verão...
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