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Me emocionei no último final
de semana com a apresentação apoteótica dos Rolling Stones, em Copacabana.
Nem todos os integrantes são ainda, da terceira idade. Mas os cinqüentões e
sessentões naquele palco deslumbrante deixaram muito brasileiro cético em
relação a sua aparência.
Não faltou quem pensasse ou
comentasse: é nada que droga (incluindo o álcool), sexo e rock and roll não
fosse também responsável pela forma tão solta de um Mick se largar no palco,
como uma lagartixa pulante e rebolante, ou o Richards com cara de
freqüentador assíduo de balcão de bar. E os outros dois que considero um
pouco mais discretos, também com suas características básicas de qualquer
dinossauro do rock mundial. Beber, cheirar, fumar sempre foi atribuição de
muitos artistas de sucesso e cujos vícios encurtaram muita carreira
proeminente. Mas, esses vovôs do rock, remanescentes dos anos 60 já têm uma
vida uma tanto diferente, de como era fazer sucesso no auge da juventude, na
década de 70 onde todo mundo era hippie ou louco, se tocava ou cantava rock.
Satisfaction cantada por um
coral de um milhão de pessoas ao vivo, e acompanhado pela TV por outros
tantos milhões, colocou nosso país nas manchetes dos maiores jornais do
mundo e no topo dos sites mais visados como é o caso do Ahl Jazeehra.
Vi uma entrevista de uma
senhora da mesma idade dos Rolling comentando sua surpresa ao ver, após 40
anos, aquele público com tanta gente mais jovem do que ela e eles, curtindo
o show.
Assistir “de graça” os
“meninos” ingleses não ofuscou o brilho de Bono e seu U2, na segunda e
terça-feira enchendo o Morumbi com seu ritmo pulsante. Me enchi de orgulho
ao ver ícones do rock, em solo brasileiro, em tempos de Carnaval. Tem
público para tudo e todos. A simpatia e a atenção dispensada a jornalistas,
fãs pelos grupos de rock foi também uma lição de boa educação com o devido
estrelismo respeitado. Muitos técnicos e jogadores de futebol, que “se
acham”, poderiam usar como exemplo. Não basta ser educado, tem também que se
apresentar bem, não importa o cachê. Já fui em bar, peça de teatro, show e
concerto que a meia dúzia de gatos pingados presentes na platéia foram
considerados como público de mil pessoas. Carinho, atenção, consideração de
público cinco estrelas. Não é porque sou dono de milhões de dólares que
tenho que me endeusar afastando-me de quem ajudou a construir este milhão de
dólares.
Talvez por causa destas
coisas de público que o carnaval faça tanto sucesso. Além de muita gente
assistindo, tem muita gente fazendo carnaval. E isto é ótimo. É a democracia
das ruas, das passarelas do samba de todo um país. Cada região comemora da
sua forma. De festa religiosa à festa pagã, não importa. Todos buscam a
alegria em viver quem sabe o único momento de entrega total a uma causa: a
de encher os olhos, o coração e a boca de muita gente com diferentes
necessidades. Se é a beleza das pessoas, homens e mulheres que encantam a
todos, se é a emoção que a cadência causa, seja o lucro financeiro que enche
de comida e esperança os sonhos dos brasileiros.
Não sou contra quem usa o
carnaval para retiro espiritual, para momento de meditação e afastamento do
mundano. E também não sou contra quem vive somente cinco dias do ano como se
fossem os últimos de sua vida. Sou a favor de tudo que inspire alegria,
agito ou calmaria, mas alegria de alma. A felicidade por instantes ajuda a
enfrentar a dureza e melancolia dos dias de trabalho, luta e a constante
busca de ser alguém neste mundão. Aquele pontinho perdido no meio da areia
de Copacabana era um de nós em meio ao público. Na arquibancada do Morumbi
outro ponto entre a multidão. Nas avenidas do samba, mais um folião. Mas
poder dizer “eu vi os Rolling Stones e o U2, eu desfilei no Carnaval”, é uma
forma única de participação. Anônima, mas personalizada. Pois a felicidade é
isto. A alegria de cada um elevada ao quadrado. É a multiplicação de se
contentar tanto com o luxo de uma superprodução quanto com o lixo que será
reciclado e se transformará na mais bela fantasia de carnaval. Vida longa
aos dinossauros do rock. Vida eterna à alegria nacional.
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