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Fiquei um tempo pensando em escrever sobre o meu time
preferido de futebol.
Resolvi deixar para depois da conquista do título de Campeão
da América, para compartilhar minhas idéias sobre tudo o que se refere a
futebol e vida, em nossas vidas. E também por que não em plena Semana
Farroupilha.
Como sou professora, é óbvio que na época da Copa do Mundo
trabalhamos uma proposta em sala de aula com os alunos. E era na época,
praticamente óbvio que conquistaríamos o Hexacampeonato . Mas ainda bem, que
todo o educador consciente e cético trabalha desde cedo a possibilidade de
derrotas e perdas na vida de qualquer mortal. E o time brasileiro perdeu.
Mas eis que minhas teorias coloradas, eternamente
esperançosas, perduraram durante todos estes anos, completamente
questionadas pelos gremistas (sãopaulinos, corintianos, flamenguistas)
secadores de plantão.
Fui em algumas partidas em que o Sport Club Internacional
disputou com times de quilate internacional, lá no Beira-Rio e tive grandes
alegrias. Não assisti a nenhuma derrota, durante a Libertadores.
E mais, fui presenteada com uma camisa oficial do Inter,
através de um amigo do Perdigão, que após um dos jogos do campeonato, tirou
sua camisa e eu ganhei... Depois que vesti esta camiseta pela primeira vez,
a América deixou de ser letra de música. Começou a transformar-se em título.
Toda uma geração de colorados, tem ouvido cada uma... “os
sem-título”, “os sempre-vice” “os que nadam e morrem na praia”, “os que
nunca ganharam a Libertadores” e ainda: “os que nunca foram campeões do
mundo...”
Me perdoem os rivais. Tudo isto está fazendo parte de um
passado, do século passado, do milênio passado. Mesmo que a direção do Inter
tenha vendido parte do time, meu coração bate mais forte cada vez que vejo
as reportagens, que eu ajeito o meu chapéu sobre o monitor do computador em
que trabalho, a minha camiseta guardada na gaveta aguardando o próximo jogo,
minhas faixas que eu comprei na Rua da Praia na manhã após o título de
campeão, em que parecia que todos os gaúchos eram colorados. Afinal, em cada
esquina do centro de Porto Alegre tinha algum carro com o som ligado no hino
do time, e todos que estavam de vermelho se cumprimentavam como velhos
conhecidos e um grande sorriso nos lábios. Naquele momento éramos mais que
um país. Éramos um continente. Uma nação. Um mundo...
Tenho dito aos meus colegas de trabalho, amigos, parentes e
alunos, que assim como sempre respeitei os adversários, gostaria que também
me respeitassem. Afinal toda a vez que vesti o vermelho, tive que ouvir
desde a gozação sadia até a ironia mais maledicente ou quem sabe mal-educada
entre o limite da falta de limites. E esta aí a grande diferença de quem não
vence sempre, ou de quem não é campeão sempre. A humildade e a renovação da
esperança.
Saí na noite da conquista do título pela Rua Grande chuvosa e
encontrei meus ex-alunos, amigos velhos, amigos novos, já era madrugada. E
os filhos dos meus amigos, “coloradinhos”, felizes. Afinal eles sempre foram
torcedores colorados, mesmo faltando este título. Foi poético. Pequenos e
grandes torcedores.
Mas o mais importante de tudo. Ah, eu sou gaúcho! Que me
perdoem os colegas jornalistas esportivos, do centro do país. Mas o campeão
do mundo ainda era o São Paulo e não, o Brasil. E um time gaúcho o desafiou
e o venceu. Todo um país teve que reconhecer a qualidade de boa
administração, garra, força individual e a soma do coletivo. Lições para
todos nós, desencantados com os acontecimentos que nos tiram a esperança de
cada dia.
Ofereço este texto para torcedores do Grêmio, do Inter, do
Aimoré, dos times de São Leopoldo. A maior vitória é a disputa justa entre
tantos diferentes. O que seria do azul se não fosse o vermelho? O que seria
da vida sem as piadas de segunda-feira, depois de cada rodada? O que seria
de nós, se não tivéssemos a eterna esperança de um dia ser feliz... com
pequenas e grandes vitórias. Que seria de mim se eu não fosse gaúcha e
colorada?
Penso que eu não seria eu...
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