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Angela Dillenburg

Jornalista & Professora

Ah, eu sou do Inter... ah, eu sou gaúcha

 

Fiquei um tempo pensando em escrever sobre o meu time preferido de futebol.

 

Resolvi deixar para depois da conquista do título de Campeão da América, para compartilhar minhas idéias sobre tudo o que se refere a futebol e vida, em nossas vidas. E também por que não em plena Semana Farroupilha.

 

Como sou professora, é óbvio que na época da Copa do Mundo trabalhamos uma proposta em sala de aula com os alunos. E era na época, praticamente óbvio que conquistaríamos o Hexacampeonato . Mas ainda bem, que todo o educador consciente e cético trabalha desde cedo a possibilidade de derrotas e perdas na vida de qualquer mortal. E o time brasileiro perdeu.

 

Mas eis que minhas teorias coloradas, eternamente esperançosas, perduraram durante todos estes anos, completamente questionadas pelos gremistas (sãopaulinos, corintianos, flamenguistas) secadores de plantão.

 

Fui em algumas partidas em que o Sport Club Internacional disputou com times de quilate internacional, lá no Beira-Rio e tive grandes alegrias. Não assisti a nenhuma derrota, durante a Libertadores.

 

E mais, fui presenteada com uma camisa oficial do Inter, através de um amigo do Perdigão, que após um dos jogos do campeonato, tirou sua camisa e eu ganhei... Depois que vesti esta camiseta pela primeira vez, a América deixou de ser letra de música. Começou a transformar-se em título.

 

Toda uma geração de colorados, tem ouvido cada uma... “os sem-título”, “os sempre-vice”  “os que nadam e morrem na praia”, “os que nunca ganharam a Libertadores” e ainda: “os que nunca foram campeões do mundo...”

 

Me perdoem os rivais. Tudo isto está fazendo parte de um passado, do século passado, do milênio passado. Mesmo que a direção do Inter tenha vendido parte do time, meu coração bate mais forte cada vez que vejo as reportagens, que eu ajeito o meu chapéu sobre o monitor do computador em que trabalho, a minha camiseta guardada na gaveta aguardando o próximo jogo, minhas faixas que eu comprei na Rua da Praia na manhã após o título de campeão, em que parecia que todos os gaúchos eram colorados. Afinal, em cada esquina do centro de Porto Alegre tinha algum carro com o som ligado no hino do time, e todos que estavam de vermelho se cumprimentavam como velhos conhecidos e um grande sorriso nos lábios. Naquele momento éramos mais que um país. Éramos um continente. Uma nação. Um mundo...

 

Tenho dito aos meus colegas de trabalho, amigos, parentes e alunos, que assim como sempre respeitei os adversários, gostaria que também me respeitassem. Afinal toda a vez que vesti o vermelho, tive que ouvir desde a gozação sadia até a ironia mais maledicente ou quem sabe mal-educada entre o limite da falta de limites. E esta aí a grande diferença de quem não vence sempre, ou de quem não é campeão sempre. A humildade e a renovação da esperança.

 

Saí na noite da conquista do título pela Rua Grande chuvosa e encontrei meus ex-alunos, amigos velhos, amigos novos, já era madrugada. E os filhos dos meus amigos, “coloradinhos”, felizes. Afinal eles sempre foram torcedores colorados, mesmo faltando este título. Foi poético. Pequenos e grandes torcedores.

 

Mas o mais importante de tudo. Ah, eu sou gaúcho! Que me perdoem os colegas jornalistas esportivos, do centro do país. Mas o campeão do mundo ainda era o São Paulo e não, o Brasil. E um time gaúcho o desafiou e o venceu. Todo um país teve que reconhecer a qualidade de boa administração, garra, força individual e a soma do coletivo. Lições para todos nós, desencantados com os acontecimentos que nos tiram a esperança de cada dia.

 

Ofereço este texto para torcedores do Grêmio, do Inter, do Aimoré, dos times de São Leopoldo. A maior vitória é a disputa justa entre tantos diferentes. O que seria do azul se não fosse o vermelho? O que seria da vida sem as piadas de segunda-feira, depois de cada rodada? O que seria de nós, se não tivéssemos a eterna esperança de um dia ser feliz... com pequenas e grandes vitórias. Que seria de mim se eu não fosse gaúcha e colorada?

 

Penso que eu não seria eu...

 

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SulMix - Angela Dillenburg... Jornalista & Professora... Leciona Informática no colégio Sinodal... Música no Centro de Educação Smiky... Voluntária no projeto de música de um grupo de cantores infanto-juvenis...

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