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Levei um tempo para falar
em política. Mas não tenho como me furtar em plena campanha em segundo turno.
Tive duas experiências incríveis e diversas, mas ambas
envolvendo diretamente a forma diferenciada de fazer política.
Em São Leopoldo está sendo criada a Câmara Mirim, projeto que institui o vereador mirim,
representando sua escola da rede municipal. Participei da Comissão
Eleitoral, e acompanhei desde a audiência pública para a apreciação do
projeto até as demais fases de implementação do mesmo: inscrições, prévias,
campanha eleitoral, debate, eleição e escrutínio. Na próxima semana a
criançada toma posse em sessão solene e invade a sessão “dos grandes”.
A forma como as equipes das escolas conduziram o processo que
dá inveja a muitos governos nas diferentes esferas do poder. Afinal, posso
afirmar com veemência que se toda a corja cassada, denunciada e corrupta
tivesse tido na escola tradicional lições de cidadania e como chegar ao
poder sem se corromper, não teríamos enfrentado a vergonha nacional que
enfrentamos e cujo mau exemplo nunca darei a nenhum aluno meu.
Viva a democracia mirim. Viva a política de base, a política
de verdade.
Por outro lado, o caminho do segundo turno me faz lembrar o
que ocorreu em 2002, tanto no Rio Grande quanto no Brasil.
Mesmo que o atual presidente tenha sido eleito com maior
número de votos, a outra quase metade não tinha votado nele. E é isto que
muitas vezes é esquecido quando não se tem maioria absoluta ou uma grande
margem de vantagem. Os que não elegeram as pessoas que chegam ao poder
continuam convivendo com os eleitos pelos outros, e na democracia temos que
aceitar isto pois é a regra do jogo.
Mas, que coisa de louco. Pois me tomo de dúvidas: se governa
para os que nos elegeram e por isso ganhamos, ou governamos para todos,
inclusive os que nos opuseram? Dificilmente se faz esta pergunta.
Depois da vitória, da posse somos todos iguais. Temos que
exigir do governante mas nunca esquecer das responsabilidades dos
governados.
Até porque em tempos de aliança, quem está de um lado ou do
outro é uma questão de detalhe. Todos se mesclam, especulam, querem aparecer
na foto, na campanha em algum lugar.
Só resta a nós eternos eleitores, que o poder fique com quem
mereça e quem possa responder a todas as perguntas sem acusar ninguém, sem
se defender ou apontar terceiros... Queremos respostas diretas, sem
subterfúgios. Chega de disfarces politiqueiros. A verdadeira política deve
ser a mesma que testemunhamos na eleição dos pequenos. Pura, justa,
comprometida. Quem sabe um dia, a política de “gente grande” faça as
crianças tão felizes como elas mereçam e cheguem a ser adultos distantes das
falcatruas porém presentes ao seu papel com ou sem poder.
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