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Ficar longe da Internet, dos cybers, dos amigos rotineiros,
da família rotineira, da casa onde mora, tem suas vantagens. Trata-se de
férias para a mente e alma.
Certa vez um amigo me disse sábias palavras, que férias é
sair do lugar onde normalmente se está. Outro me disse que férias é fazer
coisas diferentes no lugar onde sempre se está... e por aí afora. Tenho
citações para páginas e páginas de reflexões e teses.
Mas, para muitos amigos eu digo: férias, para mim, é ouvir
aquela musiquinha durante a tarde, na TV anunciando a reprise de novelinhas
que já passaram em outra década, ou ainda, sessão da tarde, sessão aventura
etc, entre 14h e 18h, que são os horários em que o ano inteiro jamais estou
em casa para assistir TV. Sem contar, que lembra minha infância: poder olhar
TV durante a tarde tinha cheiro de bolacha maria, cuquinha, suco ou toddy.
Minhas férias iniciaram em dezembro e terminaram em janeiro,
bem naqueles dias de calor intenso. Um dia, eu estava na beira do mar, com
água límpida, mesmo sendo no litoral norte do estado, e no outro dia,
sentindo a água do suor pingando pelo meu corpo, e o retorno “suado” do
dia-a-dia do trabalho, na cidade.
Mas tenho sorte. Onde trabalho tem um ar-condicionado, que me
condiciona a não sentir calor, mesmo que ele não dê conta de todo o calor
possível e inimaginável, de um fim de janeiro e início de fevereiro.
Fevereiro tem cadência, ritmo, balanço no ar. Não sou
pagodeira, nem sambista muito menos carnavalesca, mas sou fiel expectadora
de desfiles de escola de samba pela televisão. Adoro carnaval de rua! Quando
posso prestigio na minha cidade, na comunidade, na vila. Queria sair numa
escola. Mas como legítima e fiel professora, a única escola que saio (e
entro) é aquela em que leciono (...)
Não demora muito começa meu outro trabalho que é o de
lecionar. Ainda em fevereiro. E fica um hiato entre o mar, fevereiro e o
trabalho. Anos atrás achava esquisitíssimo meus parentes paulistas iniciarem
o ano letivo no final de janeiro. Como na minha família tem muito professor,
é claro que tenho uma cunhada paulista professora e uma cunhada gaúcha
professora. Enfim, enquanto uma estava começando a planejar o ano, a outra
já estava realizando a primeira avaliação.
E eis que nossas aulas no sul iniciam em fevereiro. Já faz
tempo que já ocorria na rede particular de ensino. E agora, na rede pública
também... Encurtaram o recesso? Cortaram nossas férias? Invadiram nossa
praia com mais horas de aula? Não!! Aumentaram o tempo para nossas crianças
ficarem mais próximas do conhecimento. E isto alivia qualquer calor,
qualquer mau-humor de final de férias. Afinal, tem um feriadão de carnaval
pela frente. Eta povo feliz! E não venham com críticas que brasileiro não
quer trabalhar e no segundo mês do ano já começa pulando carnaval. Muitas
pessoas, se não for a maioria, que eu conheço, a única “folga” que a família
tem é no carnaval. Só as crianças têm férias da escola. Mas o resto do povo
trabalha. E muito!! E suas únicas férias iniciam na sexta-feira de noite até
a manhã da 4ª. Feira de Cinzas. Aí sim. Viva o povo brasileiro, que trabalha
o ano inteiro, mas vive uma folga no mês de fevereiro... Resquícios de quem
retornou das férias fazendo verso do reverso do verão...
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