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Tenho me dedicado a vida inteira ao trabalho em instituição
privada de ensino, e atualmente ocupo meu primeiro cargo público, político,
sem vínculo via concurso.
Pertencer a uma parcela da sociedade em que o fato de ter o
emprego sem a garantia da estabilidade de um concurso nos dias de hoje é
peleia.
Tenho acompanhado a polêmica em relação aos professores da
rede pública municipal de São Leopoldo, e percebo que respaldar-se atrás do
rótulo “concurso” teria que compromissar muito mais um profissional de
educação.
No magistério público estadual, ouve-se pouco, mas sabe-se
muito do sucateamento sofrido pelas escolas estaduais, e diante da
orientação de governo que haja professor em sala-de-aula como prioridade
máxima, deixa-se de lado os critérios de qualidade no ensino. Vejamos, tenho
uma colega, professora estadual, que seu concurso é para o currículo das
séries iniciais. Sua formação é de Licenciatura em Informática. Como sua
escola, numa cidade do interior era uma das poucas com laboratório de
informática, ela ficou responsável pelo mesmo e realizava trabalho em
projetos com os professores de toda escola. Neste ano,ela foi impedida de
exercer a informática, pois seu concurso não era para esta área. Mas, para
dar aulas de Ed. Física ao Ensino Médio e noturno aí sim, a Coordenadoria de
Educação concordou e orientou que assim fosse, para que os alunos não
ficassem sem professor. E o pior, o laboratório de informática encontra-se
f-e-c-h-a-d-o... A proposta de inclusão digital para estes mesmos alunos
lhes foi suprimida. Nada contra as atividades de educação física por ela
desenvolvidas, mas seu “chão de trabalho” é a informática.
Voltando ao ensino público da cidade, muitos professores nos
revelam sentimentos diversos quanto aos índices de reposição salarial e
incentivo à carreira pública dos professores. Por um lado a compreensão da
perspectiva de receita por parte dos cofres públicos do município dentro de
uma administração popular, sabe-se de antemão que não nos pode ser dado o
que não comporta o orçamento. Mas, em assembléia da categoria, em
manifestações públicas, foi bradado em frases de ordem como se as vozes não
fossem ouvidas, houvesse falta de liberdade e o mais agravante, usando o
palco do sindicato para uma encenação única: poucos se manifestando como se
fossem a maioria e usando de estratégias autoritárias para conduzir o
processo que até então estava sendo construído de forma democrática,
participativa e de acordo com a realidade.
No ensino privado, o sindicato recentemente aprovou em
assembléia o dissídio 2007, e o índice de reajuste em 3.12% refere-se ao que
também foi repassado às mensalidades dos alunos das escolas particulares.
Mas, o mais decisivo da pauta das negociações foi garantir direitos já
conquistados, cujo sindicato patronal julgou passível de cortes, como o
desconto das mensalidades dos filhos dos professores. Pequenas vitórias
garantidas até o próximo dissídio. Sem a estabilidade de um concurso, os
únicos com garantia de estabilidade, são os delegados sindicais, com mandato
de um ano. Se “incomodar” demais na escola, é R-U-A!! Até porque o que tem
de professor de rede pública entregando currículo nas escolas particulares,
a substituição é uma constante em algumas escolas. Não há o respaldo de
assembléia. Não há garantia do concurso. Só existe o desempenho enquanto
profissional, enquanto sindicalista, enquanto trabalhador em educação com
“instabilidade”.
Que me perdoem meus colegas da rede pública, mas as pequenas
lutas do dia-a-dia na educação extrapolam o limite de assembléias
manipuladas, de palavras de ordem de quem pensa que vive uma era
autoritária. As pequenas lutas do dia-a-dia iniciam-se com o cumprimento da
carga horária, conforme o primeiro edital do concurso.
Sou de uma geração de professores que não precisou da
estabilidade de um concurso para se revestir de força, e muito menos usar de
atestados médicos para justificar faltas por motivos nem tão médicos. Não
precisei fazer oposição política para chegar na sala de aula e dar uma ótima
aula. Agora, ter posição, ficar quase trinta anos em sala de aula, sem
concurso, me autoriza pelo menos a não concordar com estratégias políticas
de quem não tem visão de coletivo, de orçamento público, de qualidade na
educação.
A rede é pública e é bom lembrar o que significa
público do Lat. publicu adj., relativo ao povo; que é de
todos, comum; que serve para todos; notório; sabido; s. m., o povo em geral;
auditório; assistência. Que nas próximas assembléias de qualquer rede
pública este conceito esteja presente e que se volte a falar em maioria, em
democracia e participação de verdade. Nestas horas só vale o que é genuíno.
Genérico não serve.
E conforme o mesmo
dicionário que eu consultei anteriormente, educação vem do Lat. educatione
s. f., acto ou efeito de educar; aperfeiçoamento das faculdades humanas;
polidez; cortesia; instrução; ensino. É oportuno falar em polidez e cortesia
quando os pensamentos são diferentes. Ser polido e cortês na diversidade das
idéias ainda é sinônimo da boa educação.
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