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Angela Dillenburg

Jornalista & Professora

Mãe a distância

 

Sou contra alguns jornais que só publicam textos sobre as mães, nos domingos, dia das mães. Há diferentes mães em diferentes dias e anos que merecem ser reverenciadas sempre... Nesta semana, com a chegada do papa ao Brasil, haverá inúmeras homenagens às mães do Brasil, mesmo porque um dos grandes eventos será na cidade de Aparecida do Norte, cuja padroeira é Nossa Senhora Aparecida. Mãe dos católicos.

 

Mas, consultando meu dicionário virtual, contestei com o significado da palavra mãe: do Prov. may < maine < Lat. matre s. f., mulher ou qualquer fêmea que teve um ou mais filhos; mulher que dispensa cuidados maternais; mulher caridosa e desvelada; madre; borra de vinho; fig., origem; fonte; causa.

 

Me choquei. Como assim, “qualquer fêmea que teve um ou mais filhos”? Afinal quero fazer uma defesa. Eu e muitas mães não somos quaisquer fêmeas. Somos muito mais! Além de perpetuar a espécie, fazemos o que as fêmeas de outras espécies jamais fariam, pois o que nos diferencia delas é a alma. É a mente.

 

Desde pequenas, quando algum colega nos chamava de animal, no feminino tipo “vaca”, “porca”, “anta”,  o sangue fervia, e quase nos provava que éramos bichos, sim. Pelo menos sempre me sentia ofendida. Fêmea??

 

E depois, na definição do dicionário ainda consta... “que dispensa cuidados maternais”... Dispensar o que precisa? Mãe também é filha. E também precisa do aconchego de colos, de carinhos, de elogios, de incentivos, de mãe.

 

Quando estamos fisicamente longe dos filhos, surge a “mãe à distância”. É como se tudo o que não se entendesse ao falar, ficasse transparente. Afinal, longe, para que brigar tanto com o jeito de vestir, o jeito de comer, o jeito de falar, o jeito de viver. Será que a distância qualificaria a relação entre mães e filhos? Quando estamos lado-a-lado na rotina do já tomou teu leite, já escovou teus dentes, já estudou para a prova, já ligou para a tua vó, já arrumou teu quarto, ufa! Parece que não sobra tempo para amar, falar. Minha mãe me ensinou a ser guerreira, lutar, mesmo quando faltasse o par. Meus filhos me ensinaram a ser mãe, a entender a minha mãe. É como se nessa simbiose, nessa união de energias, uma força matriz nos empurrasse uns nos braços dos outros. Com a mesma intensidade que às vezes a distância física e do espaço nos leva a caminhos diferentes.

 

A arte de viver ensina a ser grande, a pular do berço para o colo. A transpor obstáculos e continuar, tendo como trilha sonora, ao fundo, uma cantiga de ninar. Que todos os filhos entendam a dimensão do amor da mãe. E que as mães continuem real e virtualmente a emitir sua fé e esperança, e que sempre terão colo para seus filhos. Mesmo, sendo mãe à distância.

 

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SulMix - Angela Dillenburg... Jornalista & Professora... Leciona Informática no colégio Sinodal... Música no Centro de Educação Smiky... Voluntária no projeto de música de um grupo de cantores infanto-juvenis...

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