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Sou contra alguns jornais que só publicam textos sobre as
mães, nos domingos, dia das mães. Há diferentes mães em diferentes dias e
anos que merecem ser reverenciadas sempre... Nesta semana, com a chegada do
papa ao Brasil, haverá inúmeras homenagens às mães do Brasil, mesmo porque
um dos grandes eventos será na cidade de Aparecida do Norte, cuja padroeira
é Nossa Senhora Aparecida. Mãe dos católicos.
Mas, consultando meu dicionário virtual, contestei com o
significado da palavra mãe: do Prov. may < maine < Lat. matre
s. f., mulher ou qualquer fêmea que teve um ou mais filhos; mulher que
dispensa cuidados maternais; mulher caridosa e desvelada; madre; borra de
vinho; fig., origem; fonte; causa.
Me choquei. Como assim, “qualquer fêmea que teve um ou mais
filhos”? Afinal quero fazer uma defesa. Eu e muitas mães não somos quaisquer
fêmeas. Somos muito mais! Além de perpetuar a espécie, fazemos o que as
fêmeas de outras espécies jamais fariam, pois o que nos diferencia delas é a
alma. É a mente.
Desde pequenas, quando algum colega nos chamava de animal, no
feminino tipo “vaca”, “porca”, “anta”, o sangue fervia, e quase nos provava
que éramos bichos, sim. Pelo menos sempre me sentia ofendida. Fêmea??
E depois, na definição do dicionário ainda consta... “que
dispensa cuidados maternais”... Dispensar o que precisa? Mãe também é filha.
E também precisa do aconchego de colos, de carinhos, de elogios, de
incentivos, de mãe.
Quando estamos fisicamente longe dos filhos, surge a “mãe à
distância”. É como se tudo o que não se entendesse ao falar, ficasse
transparente. Afinal, longe, para que brigar tanto com o jeito de vestir, o
jeito de comer, o jeito de falar, o jeito de viver. Será que a distância
qualificaria a relação entre mães e filhos? Quando estamos lado-a-lado na
rotina do já tomou teu leite, já escovou teus dentes, já estudou para a
prova, já ligou para a tua vó, já arrumou teu quarto, ufa! Parece que não
sobra tempo para amar, falar. Minha mãe me ensinou a ser guerreira, lutar,
mesmo quando faltasse o par. Meus filhos me ensinaram a ser mãe, a entender
a minha mãe. É como se nessa simbiose, nessa união de energias, uma força
matriz nos empurrasse uns nos braços dos outros. Com a mesma intensidade que
às vezes a distância física e do espaço nos leva a caminhos diferentes.
A arte de viver ensina a ser grande, a pular do berço para o
colo. A transpor obstáculos e continuar, tendo como trilha sonora, ao fundo,
uma cantiga de ninar. Que todos os filhos entendam a dimensão do amor da
mãe. E que as mães continuem real e virtualmente a emitir sua fé e
esperança, e que sempre terão colo para seus filhos. Mesmo, sendo mãe à
distância.
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