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Pensei em escrever um texto
sobre mãe, que não fosse algo comum. Afinal, depois dos 8x1 do último
domingo, ser campeã gaúcha, colorada e mãe é um privilégio.
Anos atrás escrevi um
artigo, contando que meu filho, na época, pequeno, ao ser perguntado porque
ele era colorado, ele respondeu: olha, sou colorado porque a minha mãe é, e
porque no tempo dela, ele ganhava todas... Ora, numa simples afirmação ele
me chamou de velha e que o INTER não ganhava mais nada fazia tempo. Isto faz
mais de dez anos!
Como a vida dá voltas.
Aquele guri, que hoje continua guri, mas tamanho GG, continuou colorado,
vibrou há dois anos atrás com o campeonato mundial e vibrou no último
domingo com o famoso título do Gauchão. Até pouco tempo, alguns adversários
comentavam... “o que vale um Gauchão? O importante é a Libertadores, é
Tóquio”. E hoje...
Mas, por que um tributo às
mães coloradas? Porque já foi dito que “ser mãe é padecer no paraíso”. Mas
nada disso de padecer! Nós mães e filhos colorados, tivemos um grande
presente no domingo anterior ao dia das mães: um título. E mais do que
isso. Durante todos estes meses, a gente tem que ficar ouvindo aquelas
musiquinhas de torcida organizada que se referem às mães de um jeito nada
educado...“colorado filho da (leia-se mãe!)”, que também é particularidade
de outros, quando cantado pelo adversário. Coitadas das mães.
Mas, deixando o inusitado da
gozação, para mim ser mãe e colorada tem uma origem forte. Meu pai e minha
mãe me levavam ao Beira-Rio, quando criança, e aprendi a gostar de futebol e
do Inter. Minha mãe nunca deixou de ser colorada. Meu pai morreu colorado.
Tivemos belos títulos: aquele tri-campeonato invicto no final da década de
70, octacampeão gaúcho, em que eu tinha uma linda bandeira vermelha de
cetim. Recentemente, os inesquecíveis títulos da Libertadores e Campeão do
Mundo, bem como a Tríplice Coroa e a Copa de Dubai. O que eu quero mais? Meu
coração de colorada está faceiro. E o mais legal é que pelo menos um dos
meus filhos não seguiu a mídia que só valoriza os vencedores, e que
massacrou os colorados durante anos. A gente se manteve colorado, teve
orgulho, não se mixou...
Ser colorada não é padecer
em lugar nenhum. É entender que se um dia se perde, outro se ganha. Um dia é
uma flauteada do adversário, outro dia é elogio da crônica esportiva. Ser
colorada e mãe, é acreditar que mesmo com a derrota se aprende e não se
deixa de lutar para chegar entre os melhores. Às vezes, não somos as
escolhidas, as melhores. Mas, somos lutadoras, perseverantes e esperançosas.
Não precisamos mudar a cor da camiseta. E esta lição deixamos para nossos
filhos que insistiram em ser colorados. Mesmo em tempos difíceis, podemos
ser boas mães, bons filhos. Não há desculpa para sermos torcedores de um
mesmo e grande time: o Amor Esporte Clube. Este time não tem tamanho, nem
cor. Só alma.
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