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Quando esperamos pelo nascimento do menino, o período o
aguardo, o final de sua gestação, é sem dúvida uma época única na vida de
todo o ser cristão.
No meu tempo de guria, na casa de meus pais,
em Novo Hamburgo, desde cedo, em novembro já montávamos o pinheirinho, na sala de casa.
E normalmente ele era bem grande, cheio de enfeites e eu como única guria da
casa, depois da minha mãe, ganhava bastante presente, que o Papai Noel
trazia, na noite da véspera de Natal. Durante anos seguidos sempre tinha uma
boneca da marca Estrela. Eu ganhei várias Susi, os Três Sapecas, a Alice, a
Amiguinha, a Xodó, a Soneca, a Beijoca, nossa, só não ganhei a Barbie,
porque não era do meu tempo.
Depois, quando vim para São Leopoldo e construí minha
própria família, a tradição era um pouco diferente. O período de Advento
começava sem pinheiro, e sim, com uma coroa com quatro velas, acesas cada
uma sozinha nos domingos que antecediam o Natal. E na noite de Natal
acendíamos todas. A guirlanda da porta já era colocada cedo. Mas, o pinheiro
era montado somente na semana do Natal.
Na noite de Natal, enquanto meus guris eram pequenos,
preparava um bolo de nozes que era colocado debaixo do pinheiro, ao lado do
presépio. O Papai Noel sempre aparecia sorrateiramente, comia uma fatia do
bolo, ficavam uns farelinhos e deixava os presentes... era uma festa só.
Mas a espera por Ele, não tinha só esta coisa de pinheiro e
enfeites de Natal. Tinha a famosa faxina de Natal. Meu Deus! Na casa da
minha mãe, que não era pequena, e que ela nunca teve ajudante, era quando os
cantos da casa viam mais que vassoura, pano úmido ou qualquer tipo de
produto de limpeza. Vinha em novembro e dezembro a visão raio x da minha
mãe, que enxergava tudo o que precisava ser limpo, descartado, arrumado para
o Natal. Armários arrumados, despensas organizadas, faxina geral de fogão e
geladeira, nunca vistos, além daquelas faxinas do ano inteiro. Minha mãe era
muito caprichosa...
E neste período também é quando a gente fazia tipo um
enxoval de fim de ano, e verão. Roupa nova, maiô novo por que a gente ia
para a praia Presente para todos os vinte e tantos afilhados que um tempo o
meu pai e minha mãe tinham. Meu pai tinha uma indústria de calçados e era
muito bem quisto pelo pessoal. Todos o queriam como compadre...
Eu adorava este período da espera. Era mágico. Ficava
apenas triste, pois naquele tempo no final de novembro a gente já ganhava
férias da escola. E eu, como aluna aplicada que fui, não pegava recuperação,
nem prova. Chegava bufando
em casa. Ao invés de
ficar feliz, grunhia um “to de férias”, que a minha mãe já conhecia. E já
sabia que quando ao voltar da praia e as férias terminariam eu ficava com
aquela vontade repartida... ficar de férias ainda, mas voltar finalmente aos
bancos escolares...
Mas voltando ao período de advento, hoje. Meu pinheiro já
foi montado. (e várias vezes desmontado, por uma gata minha que é muito
sapeca...) Não farei as tradicionais bolachinhas de Natal, pois já as
encomendo de alguém. O Papai Noel passa de fininho pela casa e já não traz
boneca. E a faxina aquela, já foi adiada duas vezes. E na semana que vem
será a vinda dEle. E eu ainda tenho tanta coisa para fazer. E tem amigo
secreto para ver o presente... e tem as contas para pagar antes dEle
chegar...
Sempre estou esperando por Ele. Pode ser que o Papai Noel
venha magro, da crise. Mas assim como ele vem, o menino também vem. Através
de um presépio, de uma missa, um culto, uma linda história de Natal. Vê-lo
ali tão pequeno e bebê, faz renascer minha vontade da faxina, do pinheiro,
da bolachinha, da boneca, do presente.
Bendita espera, que antecede tua vinda, de novo meu, nosso
menino chamado Jesus... Sempre vale a pena de ver de novo... igual reprise
de novela na televisão. Mas tão verdadeiro nos seriados intermináveis da
nossa vida.
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