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Angela Dillenburg

Jornalista & Professora

Pedra sobre pedra

 

Quando leio sobre as apreensões de menores envolvidos com droga, especialmente o crack, afasto a desesperança, pois leio na mesma página, que outra quadrilha de traficantes foi presa. Quando assisto televisão e vejo mais um jovem preso com correntes ao pé da cama para não fugir e comprar mais droga, ocorre mais um flagrante onde a polícia prendeu outro grupo com quilos de porcarias alienantes que dizimam uma geração.

Outro dia comentei com meus alunos, que muito chefe do tráfico dos morros cariocas não permitem e assassinam os vendedores de crack. Por quê? A pedra mata muito rápido diminuindo o tempo do usuário em comprar mais, gastar mais, viver mais e ser “freguês de caderno”, “ter conta” com o chefe. Por aqui, um usuário mensalmente pode render 8 mil reais a um traficante. O usuário não usa pouco de cada vez, e poucas vezes usa sozinho. É usado muito a cada espaço de tempo da noite ou do dia, em grupo, passando o cachimbo de mão em mão, e quando termina sempre tem alguém para oferecer mais uma rodada, ou buscar mais, ou roubar algo que valha o mais que falta para saciar a vontade. Tem que consumir ainda mais, num curto espaço de tempo. E ele dura pouco.

Faz duas semanas que me instiga o fato de uma empresa de comunicação ter entrado numa campanha maciça na mídia, contra o crack. Camisetas vestidas por jogadores famosos. Um comercial chocante e arrepiante na TV. Quem sabe agora, é capaz do meu vizinho ou minha amiga se tocarem que logo ali na frente da sua casa faz tempo que a galera não fuma maconha e sim, a pedra maldita. Será que finalmente entenderão que nossos jovens leopoldenses, em termos de droga estão sendo tragados junto com a fumaça?

A idéia do “pedra sobre pedra”, para mim sempre foi o da construção, para cima, para frente, com idéias otimistas do novo, de força, de algo sólido. Mas esta pedra, esta mistura, leva vidas e há tempos que não atinge apenas os pobres, adolescentes e jovens. Atinge também os ricos que “se acham incluídos”, crianças e adultos que vêem na magia de uma pedra, o precioso caminho de um sonho sem volta. É muito rápido. Essa turma está perdendo quilos, emprego, namorada, estudo, em troca de momentos rápidos de fissura. De 10 a 30 segundos, a desgraçada desta pedra faz desmoronar o sistema nervoso, os neurônios e a vontade de viver.

Como educadora e mãe, não tenho fórmulas mágicas para a prevenção e resgate de tantos e muitos. Mas já tive a chance de encontrar portas, caminhos sem mágicas para ajudar alguns poucos. Não feche seus ouvidos e cale sua boca diante do que é rápido. Mas também não se choque quando lhe contarem que alguém dos seus já compartilha o cachimbo, que não é e nunca será o cachimbo da paz. Fique atento e aja para salvar...

 

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SulMix - Angela Dillenburg... Jornalista & Professora... Leciona Informática no colégio Sinodal... Música no Centro de Educação Smiky... Voluntária no projeto de música de um grupo de cantores infanto-juvenis...

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