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Quando leio sobre as apreensões de menores envolvidos com
droga, especialmente o crack, afasto a desesperança, pois leio na mesma
página, que outra quadrilha de traficantes foi presa. Quando assisto
televisão e vejo mais um jovem preso com correntes ao pé da cama para não
fugir e comprar mais droga, ocorre mais um flagrante onde a polícia prendeu
outro grupo com quilos de porcarias alienantes que dizimam uma geração.
Outro dia comentei com meus alunos, que muito chefe do
tráfico dos morros cariocas não permitem e assassinam os vendedores de crack.
Por quê? A pedra mata muito rápido diminuindo o tempo do usuário em comprar
mais, gastar mais, viver mais e ser “freguês de caderno”, “ter conta” com o
chefe. Por aqui, um usuário mensalmente pode render 8 mil reais a um
traficante. O usuário não usa pouco de cada vez, e poucas vezes usa sozinho.
É usado muito a cada espaço de tempo da noite ou do dia, em grupo, passando
o cachimbo de mão em mão, e quando termina sempre tem alguém para oferecer
mais uma rodada, ou buscar mais, ou roubar algo que valha o mais que falta
para saciar a vontade. Tem que consumir ainda mais, num curto espaço de
tempo. E ele dura pouco.
Faz duas semanas que me instiga o fato de uma empresa de
comunicação ter entrado numa campanha maciça na mídia, contra o crack.
Camisetas vestidas por jogadores famosos. Um comercial chocante e arrepiante
na TV. Quem sabe agora, é capaz do meu vizinho ou minha amiga se tocarem que
logo ali na frente da sua casa faz tempo que a galera não fuma maconha e
sim, a pedra maldita. Será que finalmente entenderão que nossos jovens
leopoldenses, em termos de droga estão sendo tragados junto com a fumaça?
A idéia do “pedra sobre pedra”, para mim sempre foi o da
construção, para cima, para frente, com idéias otimistas do novo, de força,
de algo sólido. Mas esta pedra, esta mistura, leva vidas e há tempos que não
atinge apenas os pobres, adolescentes e jovens. Atinge também os ricos que
“se acham incluídos”, crianças e adultos que vêem na magia de uma pedra, o
precioso caminho de um sonho sem volta. É muito rápido. Essa turma está
perdendo quilos, emprego, namorada, estudo, em troca de momentos rápidos de
fissura. De 10 a 30 segundos, a desgraçada desta pedra faz desmoronar o
sistema nervoso, os neurônios e a vontade de viver.
Como educadora e mãe, não tenho fórmulas mágicas para a
prevenção e resgate de tantos e muitos. Mas já tive a chance de encontrar
portas, caminhos sem mágicas para ajudar alguns poucos. Não feche seus
ouvidos e cale sua boca diante do que é rápido. Mas também não se choque
quando lhe contarem que alguém dos seus já compartilha o cachimbo, que não é
e nunca será o cachimbo da paz. Fique atento e aja para salvar...
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