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Angela Dillenburg

Jornalista & Professora

Gaudéria, não. Sou gaúcha!

 

Tempos atrás um grande amigo de muitas empreitadas na área da música, me disse que não devíamos confundir palavras do vocabulário gaúcho, bem como não misturar itens da indumentária típica. Meu amigo, o professor Jarbas travou muitas peleias em salas de aula defendendo o lenço no pescoço com o nó certo, a pilcha completa, mesmo que alguns forasteiros surpresos ainda olhem e exclamem “fantasiado de gaúcho!” Mas bah, cutucou o vivente com vara curta!

Tempos depois, outro amigo peleador da vida e declamador da nossa cultura de raiz, o Caetano, me orientou: “Angela, cuida ao usar a palavra “gaudério”, quando te referires ao gaúcho. Gaudério é palavra que desprestigia o bom gaúcho. É a ralé, o malandro, o preguiçoso.” Nossa, tchê! Me assustei. Eu, que toda hora falava gauderiada pra cá, gaudério pra lá.

Ainda sem olhar no dicionário, principalmente nesta semana, quando ouvia alguém falando sobre os gaudérios do acampamento, ou os gaudérios do desfile de domingo, meu sinal de alerta se acendia. Estou certa ou errada.

Nesta semana, numa manhã de sol, saí de casa, com minha bota, bombacha feminina, lenço e chapéu. Demorou uns 30 segundos, para alguém passar de carro por mim, baixar o vidro e bradar...” E aí, gaudéria!!” Na hora me virei, e já estava esquecendo a professora que sou.

Mas, revidei escrevendo e pesquisando. No espanhol platino, gaudério é “vagabundo, desocupado, nômade. Atualmente, referência esta ao povo da campanha.” (Felipe Simões Pires). Em outra busca na Internet, a palavra refere-se ao regionalismo gauchesco para o tipo humano, morador do campo, de hábitos rudes, errante. E mais: malandrim, vadio, pândega, errante, andarilho. E a definição que mais me chamou a atenção: “que acompanha a pessoa até que a deixe para seguir outra”. Quase um Maria vai com as outras.

Minha mini-pesquisa resgatou ainda mais a gaúcha que sou, e que se expõe mais nestes lindos e feios dias de setembro. Não freqüento CTG, não danço em fandangos, pouco vou a galpões, rodeios, concursos durante o ano. Mas assim que a chama crioula chega ao Acampamento do Parque do Trabalhador ou no Acampamento da Feitoria, renovo meus ideais de guerreira, de Anita Garibaldi. Sinto mais forte o pulsar farroupilha da mulher gaúcha.

Portanto, não sou gaudéria no sentido original. Sou mestiça, bugra, negra, alemoa, polaca, índia. Nunca errante ou desocupada. Sou chinoca com alma de guria. No dicionário gaúcho encontramos a palavra “taita”, no masculino. Transformei no feminino e plural: somos valentonas, destemidas, guapas.

Viva os(as) taitas! Viva nós, eternos farroupilhas.

 

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SulMix - Angela Dillenburg... Jornalista & Professora... Leciona Informática no colégio Sinodal... Música no Centro de Educação Smiky... Voluntária no projeto de música de um grupo de cantores infanto-juvenis...

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