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Parece que tudo começa em
março. Um auditório lotado por voluntários irmanados por uma única causa: a
luta em defesa da vida no serviço voluntário do Instituto do Câncer
Infantil. Homens (poucos é verdade) e mulheres entregues para viver essa
arte, ou seja, a cidadania vivida nos impregna como se fosse uma segunda
pele. Ao abraçarmos uma causa, toda a causa nos abraça. Sabedoria colhida ao
longo de quase dez anos na ONG Parceiros Voluntários.
A premissa da Parceiros não
é um slogan tipo propaganda publicitária que se esgota em duas semanas.
Frase de efeito mágico que se apaga no próximo comercial. A história não
mostra isso. Fala de homens e mulheres que souberam fazer a diferença em
suas comunidades. Entenderam que a cidadania é muito mais que um discurso de
palanque perdido no tempo pós-campanha eleitoral. A cidadania cansou dessa
fala e parece, de uma forma inteligente, separar babaquice politiqueira de
escolhas vitais essenciais. Dá para perceber a diferença ?
Aquele auditório lotado
falava de energia vital. Jovens, adultos e idosos possuíam a mesma sinergia.
A luta contra o câncer infantil não tem idade e nem escolhe classe social.
Ela é de todos nós. Isso, falando em conhecimento, possui um nome:
responsabilidade individual, tão vital quanto a social. Aquele discurso de
que os problemas da sociedade não me dizem respeito, caducou. O que faziam
aquelas pessoas no Hospital de Clínicas na tarde do dia 6 de março ? Elas
eram a resposta a essa fala panfletária vazia que escutamos de vez em
quando.
Louvo os voluntários do
Instituto do Câncer Infantil, do Instituto da Criança com Diabetes, da
Pastoral da Criança... Admiro a coragem de quem lida com portadores de
necessidades especiais. Cada um de nós deveria, um dia, conhecer o trabalho
do Lar Santo Antonio de Excepcionais ou da Kinder, instituição que lida com
múltiplas deficiências. Isso é um verdadeiro gesto de humanidade. Milagre do
cotidiano que se chama solidariedade.
O mundo precisa de rostos
que queiram se parecer com Teresa de Calcutá, Madre Dulce, Francisco de
Assis, homens e mulheres que fizeram de suas vidas, uma vida a serviço da
humanidade. Será que é por isso que os chamamos de santos? Em cada lugar
dessa cidade há um desafio para ser vencido. A cidadania não pode esperar
por aquilo que está ao meu alcance.
A solidariedade faz bem à
existência. Essa lição de vida perpassa os locais onde se promove o ato de
educar. Famílias, escolas e igrejas possuem uma força inadiável na arte de
fazer da solidariedade, uma ação capaz de contagiar a todos que buscam uma
luz para fazer o bem.
O auditório do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre não deve ser diferente de muitos locais onde
transpira a sede de mudar a realidade. Os voluntários do Instituto do Câncer
Infantil nos ensinam a lição diária de que fazer o bem repercute em nosso
próprio existir.
Recordo a resposta que um
monge budista deu a cineasta gaúcha Itala Nandi quando questionado sobre o
segredo da felicidade humana.
Seus olhos brilhavam e a
resposta foi definitiva: “Se queres ser feliz, faça o bem!” Os homens e
mulheres daquele auditório entenderam esse recado. A parábola do Bom
Samaritano segue atual e universal. Quem é meu próximo? Pergunta para além
dos tempos. Seja bom e faça o bem.
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