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A juventude tem fome e sede
de vida.Os dados estatísticos sobre jovens que perdem suas vidas, merece
muito mais do que leis desmoralizadas no tão famoso jeitinho brasileiro. O
lucro se sobrepõe à ética e ao cuidado da cidadania planetária.
Há uma moratória social
sobre juventude para ser resgatada. O chamado “futuro da nação“ quer viver
com significado seu projeto de vida. A cultura da modernidade está trocando
vidas por diamantes. Viver o presente como fato real, não apenas como doação
do mundo adulto.
Por que morre nossa
juventude? A resposta pode parecer simples, mas não é. A invasão que
fortalece a cultura do herói está no ar. O estímulo desenfreado ao consumo
de bebidas alcoólicas é gritante. Rapazes e moças com corpos sarados são
apresentados como modelos a serem copiados. Bebem e nada lhes acontece. O
máximo que a publicidade respeita é um final de propaganda com um discreto
“se beber não dirija“ ou “beba com moderação“. O alvo da publicidade, óbvio,
não é esse. Modelos copiados cada vez mais cedo. Falo de uma adolescência
perdida em busca de um mundo adulto que lhe sirva de modelo de vida.
Os carros reforçam esse
paradigma assassino. Produzidos como objeto de consumo, muitos jovens são
vistos como partes assessórias do mesmo. A vida frenética e sem significado
se encontra na estrada. Misturando bebida, velocidade e uma dose de super
herói lá vão eles testar limites. Sonham que seu projeto de vida esteja
conectado nas lutas pela qualidade de vida. A pele mais sensível da
sociedade se chama juventude.
Acordamos de manhã com as
mesmas manchetes. Vidas humanas não são estatísticas.Vidas que são abortadas
para sempre. Saudade é a palavra que fica. Onde entra nessa história a
moratória social? Ela não tem o poder mágico de reverter a curto prazo a
barbárie das ruas. Tornar a juventude protagonista do seu presente é desafio
ético-pedagógico para qualquer instituição séria. Impossível imaginar os
Conselhos da juventude de qualquer instância, sem uma linha de ação
comunitária real. Real significa estar onde a juventude está. A sede em
defender a vida, não pode ter cor partidária. Esse é o papel do Estado
constituído, eleito por nós. Eles querem sim uma ideologia pra viver.
Uma visita pelas confissões
religiosas de todos os matizes para falar de solidariedade. Basta de
discurso teológico e práticas verticais. A juventude tem sede de
espiritualidade. O corpo que dança, também pode ser orante. Buscar o sentido
da vida pode passar por uma grande vivência de espiritualidade juvenil. Quem
bebeu da água da oração juvenil sabe o valor do papel da fé. Vamos à luta na
educação do sentido de vida.
Passo pelo chão da escola.
Quantas horas nossos jovens vivem conosco? Somos o que fazemos com o tempo.
Instituições que sejam espaços fundantes de prática de cidadania em todos os
sentidos. Ser, conhecer, fazer e conviver, verbos mágicos da palavra
cuidado. Escolas como centros de valorização da vida. Centro significa
colocar a juventude como diamante de nosso projeto político e pedagógico. As
respostas para o caos não possuem uma única metodologia. Mas é preciso
querer chegar para ver a luz brilhar. Ainda temos tempo.
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