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Palavras precisam de
ritos. O abraço é o rito da palavra. A vela acesa é a chama que fala da
esperança. Pessoas fazem a diferença por gestos que falam por si só.
Quero partilhar pequenas
lições que fizeram diferença em seus ambientes. O mundo precisa deixar-se
contagiar pela bondade e por uma cultura de paz.
Mabel é uma jovem de 16 anos
que chega para sua primeira vivência concreta de cidadania juvenil. Escolhe
trabalhar numa instituição que atende filhos de empregadas domésticas.
Aproxima-se de uma criança para lhe abraçar. A reação do garoto é um sonoro
tapa no rosto. O que será que teríamos feito naquela hora ? Bel cala. A dor
não a intimida de continuar sua escolha de uma jovem que havia colocado seu
projeto de vida a serviço da comunidade. O afeto acaba conquistando
Paulinho, uma criança sofrida pelas agressões e abandono. Mabel ensina, pelo
rito, a linguagem da tolerância.
Mariana tem 15 anos. Sai
para sua primeira experiência de uma tal de Madrugada Viva. Madrugada
viva? O que é isso afinal? Um projeto da campanha Vida Urgente onde os
jovens abordam com sua linguagem única, aqueles que estão bebendo. Mari
senta na mesa dos garotos e oferece um bafômetro para o menino que bebe
cerveja. O teste fala de abuso.
E aí, o que vais fazer. O
garoto decide entregar as chaves do carro para o amigo que tomava
refrigerante. Irrelevante é saber se Mariana sabe o que significa cidadania
ou respeito à vida. Mari vive isso e fez de seu projeto de vida, uma escolha
a serviço da causa da redução de acidentes entre jovens. Mariana fala de
atitude.
Paulo é daqueles garotos que
nasceram para infernizar a vida dos outros. Intolerante, vaidoso, debocha de
tudo e de todos. Um dia, quase sem querer, Paulo é colocado diante
de crianças com deficiência cerebral pelas mãos de uma amiga. O jogo vira.
Aprende que a única forma de entender a palavra respeito é respeitando.
Assume sua vida, canalizando sua inteligência e capacidade de relacionamento
para combater o preconceito. Torna seu grupo uma referência de vida.
Camila respira cidadania.
Seus olhos brilham, quando fala de esperança. Rejeita o comodismo. Sua vida
de universitária não a impede de ser uma liderança aglutinadora na causa da
cidadania. Apaixona quem dela se aproxima.
Jovens são luzes nesse
marasmo de fraudes e mentiras. Rejeitam o rótulo de serem o futuro da nação.
Têm voz e projetos reais para mudar esse caos de indiferença. A cultura da
droga chega fácil porque lhes falta uma outra forma de linguagem. Querem
desmentir na prática a fala de Charlie Brown quando diz “que o que falam na
tv sobre o jovem não é sério”.
Bel, Mariana, Paulo e Camila
integram um grupo que merece ser escutado. O que eles possuem em comum,
embora morem em lugares diferentes? Eles estão nas ruas, escolas, igrejas,
partidos. Têm sede da fonte da água viva. São lideranças de sala de aula, de
Grêmios Estudantis, de projetos comunitários sérios. Falam pela arte, pela
dança, teatro, música. A linguagem não é a linguagem adulta. Quem sabe a
gente não faz silêncio para escutar suas vozes!
Parodiando Ivan Lins, para
que nossa esperança seja mais que a vingança. Seja sempre um caminho que
deixamos de herança.
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