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Sim, é verdade que vivemos numa realidade excludente.
Percebemos altos níveis de intolerância, de agressividade e nossa
incapacidade em criar situações harmônicas e de equilíbrio cósmico. É
difícil educar para uma vida com significado num mundo onde se limita a
criatividade, se impede o diálogo e onde a violência é defendida como forma
de transformação da realidade.
Como conceber educação como exercício de socialização e de
solidariedade, se aceitarmos o discurso fácil da linguagem panfletária ou
desistente? O discurso panfletário faz a fala de que tudo está errado e que,
no fim do túnel, não existe nenhuma possibilidade da transformação da
esperança em gestos que favoreçam a dignidade humana. Se fizermos essa
pergunta para Tereza de Calcutá, Zilda Arns, Betinho, personagens que
permeiam nossa humanidade, descobriremos que suas vidas entregues à causa da
solidariedade, rejeitam o discurso que muitos adoram. Falta-nos coragem para
assumir que a fome, a droga, a prostituição infantil, o preconceito
escancarado constituem também o universo de nossa omissão. Nossa indiferença
legitima a cultura da barbárie e da banalização humana. Sim, a tentação do
panfletarismo é fácil de fazer.
O que fazem centenas de lideranças comunitárias e educadores
teimosos em realidades onde a vontade é abandonar o barco? De onde vem essa
insistente teimosia em não desistir? Que força é essa que transforma homens
e mulheres em cidadãos a serviço da causa de crianças e adolescentes
sedentos por esperança? O que move uma juventude a utilizar sua linguagem
típica para construir mais cidadania? Como explicar escolas e seus mestres
que, embora situadas em locais de chão batido, são reservas de humanidade?
Todos assumem que, em suas vidas, não há lugar para a palavra desistência.
Desistir, a segunda tentação dessa crônica, é escancarar o abandono, seja
ele a forma que tiver.
Que lições de vida nos deixam os insistentes de todos os
lugares educadores? É preciso sair de nossa passividade e inércia. Esse país
é nosso. Educar para uma ética viva, mesmo que a realidade desminta isso, é
uma questão de escolha de vida. Zilda Arns mostrou que, um simples soro,
poderia contribuir para a redução da mortalidade infantil no nordeste.
Rejeitou o discurso de palanque. Fez a diferença através de sua Pastoral da
Criança.
Compreendermos que nosso próximo não é só aquele que vive ao
nosso lado. São as massas humanas, para as quais devemos ter um espírito
aberto, pois cada ser humano tem direito de ser promovido e defendido em sua
dignidade.
Herbert de Souza, Betinho, poderia ter jogado a toalha diante
de sua doença terminal. Sua lição de vida segue atual e permanente. Felizes
os promotores de justiça, paz e solidariedade. Eles são, nessa terra tão
sofrida, as verdadeiras imagens do rosto de um Deus que nos convida todos os
dias para respondermos a pergunta que não quer calar: Quem é meu próximo?
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