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Tempo de campanha eleitoral que chega, associada a uma grave
crise sobre a autoridade constituída, formam conteúdo programático do nosso
fazer pedagógico.
Muitos desses jovens exercerão nas próximas eleições o poder
de escolher seus governantes - vereadores e prefeitos - que serão empossados
pelo peso dos votos.
Aqui se encontra um espaço nobre para fazer o aprendizado da
palavra política. Que partidos representam? Qual seu plano de governo? Quais
são, de fato, as políticas públicas que irão beneficiar a infância e a
juventude? Qual a história pública desses candidatos? O que já fizeram em
prol do bem comum? Perguntas inquestionáveis na hora da escolha.
Podemos ir além. Qual a posição desses candidatos sobre
inclusão social? Quais são os projetos reais para beneficiar a infância e a
juventude entregue ao mundo das drogas e da exploração sexual?
Qual a posição desses candidatos na construção de uma cidade
mais humana? O que conhecem esses candidatos sobre cultura juvenil e como se
manifestam? Quando pensam em juventude, pensam na adolescência, porta de
ingresso para esse novo mundo todo a descoberto?
Aqui, se depositam temas transversais da mais alta
responsabilidade nossa como educadores e como instituições educadoras.
Viveremos momentos fortes de campanha política. Conheceremos o significado
de muitas palavras carregadas de sentido como ética, justiça, cidadania,
ecologia, violência e resistência.
É coerente que, os espaços privilegiados que dispomos, sejam
locais de discussão sobre temáticas que estarão na plataforma de campanha de
cada candidato a vereador e prefeito. É preciso trazer para as salas de aula
essas discussões. Correremos o risco de encontrarmos alunos que pensam e que
possuem propostas reais para a mudança desse caldo de indiferença e de
impunidade que assistimos.
Escolas devem ser espaços de ressonância de tudo aquilo que
possui significado. Erro grotesco é imaginar que nossos alunos não possuem
senso crítico, capaz de perceber a diferença entre o discurso fácil de
fazer, dissociado de uma história de vida comprometida com a dignidade
humana. É preciso transformar nossos locais educativos em fóruns reais sobre
a arte de governar em benefício do bem comum.
Conhecer a história dos partidos políticos que são candidatos
é conteúdo escolar. Utilizar os componentes curriculares que dispomos para
expressar esse desejo de mudança urgente é competência de nossos múltiplos
saberes. Há uma arte escolar que pode falar de cidadania. Uma produção
textual que fale de desejos e sonhos a serem cumpridos através de mandatos
legitimados pelo nosso voto.
Temos em nossas mãos diamantes preciosos e um instrumento de
educação rico para formar na prática, uma geração que pense ética e
cidadania como palavras integrantes do seu projeto de vida.
Esta missão é para nós, intransferível.
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