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A esperança se fez notícia de libertação. Um sonho de
liberdade deixou de ser apenas um título de um belo filme. Uma mulher forte
que sobreviveu diante da afronta a dignidade humana. Esse fato não é apenas
uma notícia que se perderá nas muitas manchetes que falam sobre dignidade
humana. É fato de que a justiça, cedo ou tarde, vencerá.
Ingrid é a expressão viva de que nenhuma nação ou guerrilha
tem o direito de afrontar os direitos básicos de todo o ser humano.
Sonhadores são profetas de seu tempo. Arautos de que a bandeira da paz
jamais combinará com cerceamento às liberdades individuais. Uma questão
crucial para quem acredita de que a tolerância se sobrepõe a toda e qualquer
ditadura.
Felizes, todos os que fazem de sua cidadania, um serviço a
causa da humanidade. Quase nunca damos valor a todos os que militam em
organizações independentes que, transformam seus mandatos, num exercício
pleno em benefício de pessoas e grupos indefesos em seu solo nativo.
Bem aventurados jornalistas, médicos, ativistas de todos os
matizes que doam suas vidas em defesa da verdade. Trocam realização
profissional pela causa maior em denunciar a notícia escondida e a liberdade
negada. Denunciam torturas e desaparecimentos para que muitos sejam
beneficiados pela informação censurada nos países que desconhecem o valor da
palavra liberdade. Pensar, organizar e desejar um novo jeito de fazer
democracia incomoda a quem existe uma única forma no exercício do poder. O
autoritarismo amedronta, amordaça a consciência e exige que jamais calemos.
Seis anos de um martírio cruel e desumano. Presos violentados
no seu direito de sonhar com um mundo diferente. Ingrid usou da única arma
forte que possuía: a força da palavra. Sonhadores possuem seguidores.
Quantos, no mudo inteiro, trabalharam para que sua libertação fosse um ato
de soberania internacional. Sim, ditaduras locais ou movimentos de
guerrilha, não podem se sobrepor ao valor incalculável da liberdade. A
dignidade humana é uma questão de geopolítica. Ela não escolhe sistema
político, forma de governo ou interesses econômicos.
Ingrid escancara a força da luta de todos nós em nome da
soberania da ética e da cidadania. Isso vale para os tibetanos, para o povo
de Kosovo, para os africanos mergulhados em afrontas de violação aos
direitos humanos. Vidas não podem ser trocadas por diamantes, parodiando a
canção.
Dignidade humana não possui fronteiras. Ela passa pelos
corredores dos condenados à pena de morte nos Estados Unidos, por Cuba onde
um só pensamento é possível, pelo terrorismo internacional, tenha ele o nome
que tiver.
A libertação de Ingrid deve soar para nós como um grito à
solidariedade. Milhares de pessoas no mundo todo estão aprisionadas por
defenderem direitos intransferíveis como organização política, estudantil,
religiosa, sexual, sindical. O ser humano não pode ser cerceado na
possibilidade em planejar um novo mundo onde as garantias individuais sejam
legítimas.
Onde fica a Colômbia de todos nós? Qual o tamanho do sonho de
humanidade que temos? A verdade, em tudo isso, é que seremos o que fazemos
com o nosso tempo. Isso significa deixar nossa marca na história. Ingrid tua
luta não foi em vão. Quem, um dia foi privado da liberdade em nome da
justiça, sabe o peso dessa luta. Ontem e hoje.
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