|
Ingrid Betancourt declarou que foi a força da espiritualidade
que a fez vencer toda a adversidade do seu tempo de prisão. Que palavra
mágica é essa? Homens e mulheres no mundo todo entregam seu tempo e
conhecimento em benefício da humanidade.
Que lições de vida nos ensinam esses cidadãos acima das
fronteiras do seu país? A resposta está entre diferenciar essência do
acessório. O exercício da autoridade dissociado do significado de serviço ao
bem comum, para nada serve. Alimenta o ego de uns e outros. Privatiza aquilo
que é comunitário. A história registra exemplos de vida carregados de
espiritualidade. A espiritualidade nasce da compreensão clara daquilo que é
essencial. Essencial é tudo o que faz de fato a diferença. Precisamos, todos
nós, de modelos de vida com quem aprenderemos a essência. Descobriremos,
então, o sabor em viver essa essência. O amor para ser essencial, precisa se
deixar ser amado.
Teresa de Calcutá, por seu modo de viver, fez compreender a
sutileza entre o definitivo e o aparente. Os modismos passam. O exemplo de
amor à humanidade permanece. Francisco de Assis foi um homem para além do
seu tempo. Sua capacidade para dialogar com o mundo não cristão, o
transformou numa figura universal. Sua mensagem segue atual e viva nos dias
de hoje. Francisco percebe claramente a diferença entre o fugaz e o vital. O
jeito de ensinar de Francisco vai além da fronteiras geopolíticas e dos
conceitos das religiões.
Irmã Dulce, lembram dela? Revoluciona ao declarar
apaixonadamente, seu amor ao ser humano. Entrega seu tempo e o que sabe á
causa da dignidade humana. Chico Mendes faz da sua vida uma defesa dos povos
da Amazônia. Sua visão de cidadania planetária extrapola os conceitos de
nacionalidade. Para que todos tenham vida em abundância, ensinamento do
mestre Jesus de Nazaré, é preciso ir além de uma única fala religiosa.
A mística impulsiona a espiritualidade. A essência é a
mística. Um sonho de liberdade é a mística de Ingrid Betancourt. O amor
radical à humanidade legítima a fala de Francisco de Assis. Ele vive na
radicalidade o que é amar o próximo. Sua mística que impulsiona sua causa,
nasce do silêncio e do confronto com a realidade, dura e excludente.
As correntes que durante seis anos machucaram o corpo de
Ingrid, não foram capazes de estagnar seu sonho de amor pela humanidade.
Qual sua religião? De onde brota a força dos sonhadores e de todos que nos
contagiam com a chama da esperança? Os frutos falam por si,ao longo da
história.
Amar ao próximo exige escolhas vitais. Uns fazem da violência
sua bandeira de luta. Outros encantam pela arte da tolerância e da ação
pacifista. Os últimos são aqueles a quem seguimos. Seguimos, por que
alimentam nosso coração e nossa sede por uma cultura de paz efetiva, ativa e
afetiva.
Bom saber que, ontem e hoje, homens e mulheres entregam suas
vidas em prol de uma humanidade melhor. As correntes são o simbolismo de que
essa luta é de todos nós. A libertação é a senha de que, apesar do tempo,
valeu a pena sonhar e deixar como herança um novo tempo.
|