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Um cidadão de Porto Alegre está no céu. Quem teve o
privilégio de beber de sua sabedoria, aprendeu que ali estava um homem
chamado por Deus. Sua simplicidade e humildade eram cativantes. Um andarilho
por Porto Alegre a rezar e a apoiar famílias que, encontravam em suas
palavras, o alimento necessário para vencer momentos de dificuldades ou de
perdas irreversíveis.
Salesiano de Dom Bosco, fez de Porto Alegre, nos últimos 50
anos, o ambiente sagrado para propagar seu amor pelo ser humano, construído
nos múltiplos momentos de formação com seus companheiros de congregação.
Seus 97 anos de vida lhe asseguraram uma sabedoria compartilhada com
encontros permeados por humanidade, a maneira mais abençoada em perceber o
rosto de Deus entre nós.
Homem de profunda fidelidade às causas que abraçou. Sacerdote
apaixonado por sua vocação. Mesmo quando com dificuldades para caminhar, era
possível vê-lo pelas ruas de Porto Alegre, prosseguindo sua peregrinação
ajudado por uma bengala. Suas visitas em todas as casas que entrava, eram
carregadas de oração e de uma espiritualidade que o transformou em sinal
visível de um Deus que é puro amor.
Amigos dos taxistas dessa cidade, era reconhecido pelas ruas,
sempre prontos para receber uma palavra confortadora. Apaixonado pela Casa
do Pequeno Operário, projeto social salesiano, para lá conduzia todos os
benefícios que recebia em apoio a meninos em situação de risco. Havia aqui
uma grande cumplicidade da cidadania da cidade, sinergia entre
responsabilidade pessoal e social.
Seus amigos e admiradores estavam em todas as camadas
sociais. Ora poderiam ser autoridades da cidade, ora poderia ser a mãe
enfrentando o drama de como alimentar seu filho sem ter o necessário
alimento. Evangelização construída na oração e na ação.
Como definir um santo? Padre Miguel consagrou sua vida para
divulgar o projeto que abraçou. Não abria mão de seu colóquio pessoal com
Deus nutrido por missas que rezava e pela oração onde a todos incluía. Sua
coerência e fidelidade à sua missão a todos encantava. Padre Miguel viveu
para responder ativamente a pergunta da Parábola do Bom Samaritano: Quem é
meu próximo? A resposta foi seu incansável projeto de vida. O rosto de Deus
feito criança, idoso, jovem, família, companheiros de comunidade. Fé,
serviço e solidariedade.
Um dia, quando perguntado sobre o segredo para uma vida tão
longa, respondeu com a sabedoria vivida: “pouca mesa, pouca cama e muita
sola”.
Antes de falecer, em sua última mensagem de vida, ofereceu
sua vida pelas obras salesianas. Rezava pelos companheiros que ficaram e,
para que o amor ao próximo, fosse construído com entrega, simplicidade e
muita sola.
Andamos carentes de pessoas que vivam aquilo que anunciam.
Padre Miguel Rovira foi uma lição de vida para quem pôde beber de sua
sabedoria carregada pela bênção de Deus.
Padre Miguel uma última palavra: obrigado pela tua vida.
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