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Acompanhei, com grande interesse, a matéria feita pelo
jornalista Marcelo Gonzatto sobre escolas conflagradas. Gostaria de refletir
alguns caminhos possíveis para sair desse estado de sítio. Parto da
premissa que não é tarefa da escola assumir papel de polícia. Os limites de
atuação precisam estar delimitados.
A prevenção e a resolução de conflitos são duas ferramentas
vitais para o desenvolvimento de uma escola dialógica. O que significa isso?
Chega a ser simplista afirmar que qualquer comunidade escolar tem obrigação
de conhecer sua realidade. A produção do conhecimento passa pelo ambiente
social e pela capacidade de uma comunidade educadora em fazer mediações.
Quando uma instituição resolve abrir suas portas em finais de semana,
declara que deseja desenvolver uma relação comunitária. Ao dividir tarefas
de resgate de laços de pertencimento, está a contribuir para que a vida em
sociedade seja mais sadia. A escola, qualquer escola, tem o dever de
conhecer seu bairro, suas ruas... Ela não é um bloco isolado do seu
contexto. Muitos conflitos nascem desse engano.
Estamos falando aqui sobre estratégias de construção de um
lugar que respire um ambiente sadio e solidário, busca incessante de todos
os que trabalham na construção de uma cultura antibullying. Faz-se
necessário uma reflexão sistemática sobre a problemática da violência, como
se revela nessa ou naquela comunidade escolar. As manifestações são
diferentes. Os chamados bondes, gangues juvenis, assumem condutas distintas,
conforme o bairro. O fenômeno da violência precisa ser estudado. Isso deve
ser uma prioridade educacional.
Por outro lado, é preciso assumir a não violência como
referencial de uma vida em comunidade que aprendeu a prevenir e a resolver
conflitos que surgem nas salas de aula, nos recreios, na entrada e saídas da
escola. Isso também não se resolve sem que os pares estejam envolvidos
diretamente na solução dos mesmos. Experiências bem sucedidas de construção
de estatutos de relacionamento têm mostrado que crianças e jovens se sentem
responsáveis por aquilo em que participam. Quando estabelecem regras e
sanções são severos consigo mesmos .Aqui é preciso respeitar as etapas
evolutivas de cada grupo.
Chamar a comunidade de pais para assumir seu papel de
núcleo promotor de uma cultura de paz. Quando todos descobrimos que estamos
no mesmo barco, emerge a tarefa, difícil sim, de buscar alternativas
saudáveis, pois cada setor de uma comunidade escolar possui papéis a
cumprir. Eventos que promovam a festa, o lúdico, o jogo, a arte, o teatro, a
música e a cidadania, contribuem decisivamente para a criação de um
sentimento de pertencimento. Esse conjunto de práticas também é conteúdo, um
conhecimento datado construído em cima de uma realidade conhecida. O
fortalecimento dos espaços de exercício de liderança são facilitadores
importantes. Conselhos escolares, grêmios estudantis, lições ativas de
voluntariado ajudam na mudança de um perfil de uma escola conflagrada para
uma instituição dialogal.
Ser como escola um centro de relações internas e externas
construídas na busca permanente de resolução de conflitos é herança a ser
deixada. Ninguém disse que isso é fácil. Se quisermos luz para nossas vidas,
é preciso trabalhar incessantemente por um projeto de educação para a paz. A
vida em sociedade agradece esse cansaço cidadão.
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