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Carlos Barcellos

Professor e Escritor

O outro lado das escolas conflagradas

 

Acompanhei, com grande interesse, a matéria feita pelo jornalista Marcelo Gonzatto sobre escolas conflagradas. Gostaria de refletir alguns caminhos possíveis para sair desse  estado de sítio. Parto da premissa que não é tarefa da escola assumir papel de polícia. Os limites de atuação precisam estar delimitados.

A prevenção e a resolução de conflitos são duas ferramentas vitais para o desenvolvimento de uma escola dialógica. O que significa isso? Chega a ser simplista afirmar que qualquer comunidade escolar tem obrigação de conhecer sua realidade. A produção do conhecimento passa pelo ambiente social e pela capacidade de uma comunidade educadora em  fazer mediações. Quando uma instituição resolve abrir suas portas em finais de semana, declara que deseja desenvolver uma relação comunitária. Ao dividir tarefas de resgate de laços de pertencimento, está a contribuir para que a vida em sociedade seja mais sadia. A escola, qualquer escola, tem o dever de conhecer seu bairro, suas ruas... Ela não é um bloco isolado do seu contexto. Muitos conflitos nascem desse engano.

Estamos falando aqui sobre estratégias de construção de um lugar que respire um ambiente  sadio e solidário, busca incessante de todos os que trabalham na construção de uma cultura antibullying. Faz-se necessário uma reflexão sistemática sobre a problemática da violência, como se revela nessa ou naquela comunidade escolar. As manifestações são diferentes. Os chamados bondes, gangues juvenis, assumem condutas distintas, conforme o bairro. O fenômeno da violência precisa ser estudado. Isso deve ser uma prioridade educacional.

Por outro lado, é preciso assumir a não violência como referencial de uma  vida em comunidade que aprendeu a prevenir e a resolver conflitos que surgem nas salas de aula, nos recreios, na entrada e saídas da escola. Isso também não se resolve sem que os pares estejam envolvidos diretamente na solução dos mesmos. Experiências bem sucedidas de construção de estatutos de relacionamento têm mostrado que crianças e jovens se sentem responsáveis por aquilo em que participam. Quando estabelecem regras e sanções são severos consigo mesmos .Aqui é preciso respeitar as etapas evolutivas de cada grupo.

Chamar a comunidade de pais para assumir seu papel de núcleo  promotor de uma cultura de paz. Quando todos descobrimos que estamos no mesmo barco, emerge a tarefa, difícil sim, de buscar alternativas saudáveis, pois cada setor de uma comunidade escolar possui papéis a cumprir. Eventos que promovam a festa, o lúdico, o jogo, a arte, o teatro, a música e a cidadania, contribuem decisivamente para a criação de um sentimento de pertencimento. Esse conjunto de práticas também é conteúdo, um conhecimento datado construído em cima de  uma realidade conhecida. O fortalecimento dos espaços de exercício de liderança são facilitadores importantes. Conselhos escolares, grêmios estudantis, lições ativas de voluntariado ajudam na mudança de um perfil de uma escola conflagrada para uma instituição dialogal.

Ser como escola um centro de relações internas e externas construídas na busca permanente de resolução de conflitos é  herança a ser deixada. Ninguém disse que isso é fácil. Se quisermos luz para nossas vidas, é preciso trabalhar incessantemente por um projeto de educação para a paz. A vida em sociedade agradece esse cansaço cidadão.

 

 E-MAIL DO COLUNISTA: canb@cpovo.net

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SulMix - Carlos Barcellos... Professor, Escritor e Consultor em Programas de Educação para a Cidadania...

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