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Bem aventurados os que educam para a resolução de
conflitos. Aqueles que criam condições de diálogo entre os diferentes,
permitindo uma convivência saudável na diversidade. Bem aventurados os que
socializam para a difícil aprendizagem de ouvir o outro lado. Felizes os que
buscam a verdade na construção de uma relação de grupo. Abençoados os que
perseguem e tem fome e sede de uma vida com significado.
Bem aventurada a instituição que educa no cotidiano para
práticas pedagógicas onde, tudo o que se passa naquela comunidade, faz parte
do chamado conteúdo. Ele pode ser o jeito de falar, olhar, tocar. Ele pode
ser nossa teimosia em achar que podemos fazer hoje melhor, aquilo que
fizemos ontem. Melhor, pode ser aquela conversa vital sobre gravidez na
adolescência. Era um papo central naquela aula. Irrelevante qual o chamado
componente curricular. Benditos mestres que superam a tentação do
conteudismo, como se a sala de aula fosse uma linha reta, desvinculada da
realidade existencial das comunidades juvenis que chegam até nós.
Somos o que fazemos com o tempo. Podemos permanecer, ir
sonhar. Podemos assumir uma neutralidade enganosa diante do conflito.
Impossível ficar em cima do muro. Falamos como pensamos. Agimos como falamos
e, finalmente, somos responsáveis pelos frutos que deixamos como herança de
vida.
Escrevo essa crônica numa referência a um educador
resiliente da paz. Quanto convida a conjugarmos o verbo desistir, Edson do
Afroreggae, assassinado esses dias, ensina lições de vida para toda a vida.
A comunidade de Vigário Geral no Rio de Janeiro, fica perto de nossas
instituições. Uma vida levada pela cultura da barbárie e da vida banalizada
que tanto denunciamos.
Uma vida deixada como semente de paz. O Afroreggae e todos
os movimentos que educam na e para a paz, compreendem o significado da
palavra resiliente. Educadores, convictos de seu mandato, estão além dos
lugares sociais. Se para alguns revela os sinais da pobreza cruel, para
outros se desvela o vazio existencial, uma vida perdida no consumismo, onde
o único remédio parece ser a cultura da droga. Benditos Edsons de todos os
lugares a serem educados. Amados todos os que compreendem que a cultura da
violência se reverte com uma nova postura em olhar a humanidade. Leva tempo
isso. Precisamos aprender a arte do educador resiliente. Ela pode estar do
nosso lado, nesse momento.
“Crianças não nascem más. Crianças não nascem racistas.
Crianças não nascem hipócritas. Crianças não nascem reduzidas. Não nascem
preconceituosas. Crianças nascem puras, genuínas, criativas...“
Há um novo jeito de aprender lições de vida. A realidade é
o parâmetro que define nossa missão de mediadores e educadores da paz.
Obrigado Edson pela tua vida de entrega na comunidade de Vigário Geral, um
pedaço do mundo a ser recriado.
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