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Estamos chegando, daqui há pouco, há mais um final de ano
letivo. Ovos e água combinam com esse final de etapa? Invasão de escolas por
alunos mascarados revelam um cenário de impunidade. Agressividade que
extrapola o lugar social onde fica a escola. Em bairros elitizados é comum
veículos com dezenas de ovos “paitrocinados“ por pais que julgam natural
essa celebração de encerramento de uma etapa de vida. Escolas reféns,
educadores cerceados e uma comunidade sitiada pela barbárie e banalização da
palavra celebração. Um sinal visível do medo que ronda essas comunidades é a
contratação de seguranças para cuidar dos últimos dias de um ano letivo cuja
culminância deveria ser apenas abraços, risos, emoção, lágrimas e uma
saudade que bate no peito. A verdade é que esse é um lamentável exercício
de involução cívica.
O cenário universitário não difere desse clima “celebrativo”.
Formaturas regadas ao consumo de bebidas alcoólicas em pleno palco.
Celebra-se uma etapa de conquista profissional. Nesse abismo que é o acesso
ao mundo universitário, alguém pode achar natural tais fatos. Afinal, o que
são dúzias de ovos e garrafas deixadas no palco após a formatura? Como sair
dessa redoma que nos torna objetos de vândalos, bondes e agregados? Ninguém
merece isso.
Há um rito de passagem acontecendo na vida desses alunos. A
escola foi para cada um desses jovens uma verdadeira segunda casa. Ali,
viveram parte de sua infância. Nesse ambiente enfrentaram a chegada da
adolescência e mergulharam no intrincado universo do verbo escolher. Eis que
é chegada a hora de partir. Deixar para trás um tempo de vida que foi
precioso. Deveria ser esse o elemento central para o encerramento de um ano
letivo. Nem mesmo a gripe A e todas as mudanças de calendário, podem impedir
o clima de confraternização que deve sustentar a hora em que será feita a
última chamada na escola, o Dia da Formatura.
Esse momento mágico precisa ser vivido e construído com os
principais protagonistas dessa passagem: a comunidade de alunos. Como
concluir um ano letivo que seja marcante e referência para quem virá depois?
Todos merecem mais do que o legado do banho de água ou da sujeira de dúzias
e dúzias de ovos , marcas indeléveis de uma sociedade cúmplice com
a impunidade e a vida banalizada.
Existem comunidades escolares que entregam a seus formandos
a tarefa da condução da Ação Natal. São eles que definem instituições a
serem beneficiadas. Assumem a tarefa de entregar e celebrar esse gesto de
solidariedade de toda a sua escola. Há uma lição de vida nesse simples
exemplo. O sentimento de pertencimento a uma instituição cuja história de
vida está marcada para sempre.
Entre estudos, ENEM e vestibular, é preciso incluir o verbo
celebrar. Que tal um grande cadernão no qual cada formando possa deixar sua
mensagem de vida? Nesse clima de alegria e saudade, é bonito ver alunos
concluintes pedindo que seus educadores assinem suas camisetas. Quantas
vezes escutamos o famoso”era bom e a gente não sabia o quanto que era”. A
vida é feita de ritos. A saída da escola para o ingresso no mundo
universitário ou mundo do trabalho é uma passagem importante e, muitas
vezes, dolorosa. Felizes as instituições que compreendem esse momento,
tornando esse último ato da vida escolar num momento de encantamento. Deve
ser gratificante deixar a vida da escola sabendo que somos especiais. Voltar
como ex-aluno e poder dizer: Eu passei por aqui!
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