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A juventude não é um apêndice entre a infância e a idade
adulta. Um capital cultural muito intenso acontece nessa intrincada fase de
mudança. Essa inquietude juvenil que questiona, faz surgir um novo
horizonte. Eles estão em todos os lugares para quebrar o paradigma de que “o
que falam na TV sobre o jovem não é sério”. Insistência inútil é o
preconceito que se esconde no tal “aborrescente”.
Eles se organizam em tribos e, a partir de uma lente
fotográfica única, traçam um horizonte carregado de esperança e novidade.
Quem ousar andar pelo Rio Grande, encontrará uma galera para a qual a
indignação já não é mais uma atitude coerente com a leitura da realidade
traçada pelo universo tribal. Jovens de várias tendências, fechados em torno
da bandeira da cidadania e do voluntariado consistente. Fazem isso, usando
linguagens próprias e práticas de civismo modernas, coerentes e adequados
com os desafios de suas comunidades.
Quem os vê falando sobre sexualidade ou drogas, se
surpreende ao ver uma comunidade juvenil falando com seriedade e sabedoria
sobre temas delicados. Afinal, falar de gravidez na adolescência com a mesma
lente fotográfica, exige maturidade e uma escolha de um projeto de vida
significativo. Eles compreendem o papel a eles reservado. De aborrescentes,
não possuem nada. Usam formas de comunicação cativantes. Sobem nos palcos,
cantam, dançam e possuem um conteúdo carregado de vínculos afetivos. Seu
único compromisso é garantir qualidade de vida. Conjugam o significado do
verbo cuidar com muita excelência.
Nosso estado é um celeiro de cidadania juvenil. ONGS
gaúchas marcam uma presença cuidadora e desafiadora em acolher esses
incríveis artífices da cultura da paz. Quem assiste peças teatrais como
“Adolescer”, “O Exército de Sonhos“, ‘Filhote de Cruz Credo“, incorpora em
suas vivências a luta por uma comunidade mais sadia. É tempo de dar voz a
essa galera. Quem os vê mergulhados em madrugadas para salvar vidas,
consegue perceber o que eles vivem ao afirmar que estatísticas possuem
rostos. Prestemos atenção nessa palavra viva e urgente.
Quem os vê espalhados em hospitais, creches, asilos,
comunidades de aidéticos, percebe a magia da expressão que diz que “ao
abraçarmos uma causa, ela também nos abraça”. Lições de vida para o resto da
vida. Se queremos um novo futuro, é preciso dar passagem a esse presente de
vida chamado juventude. O encanto de tudo isso, é enxergá-los em todos os
ambientes sociais. Lideranças sadias para responder por ações, ao flagelo de
todas as formas de manifestação de uma cultura chamada droga. Eles estão
perto de nós. Pedem passagem nas salas de aula, nos corredores, nos Grêmios
Estudantis. Eles grafitam e mudam uma paisagem de indiferença social para um
ambiente mais saudável. Afinal, quem foi que disse que não é sério aquilo
que eles fazem? Eles, os jovens, constituem a pele mais sensível da
sociedade. Escutemos a sabedoria desse corpo em mudança e desse coração com
sede de um novo tempo. Eles são os tribeiros a fazer revolução nos tempos
difíceis de vida banalizada. Seria bom que essa discussão cidadã estivesse
presente no momento em que lançamos luzes sobre o ano letivo que, daqui há
pouco, estaremos planejando.
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