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Bem que a juventude gaúcha merecia um presente de Natal que
traduzisse qualidade de vida. A pesquisa trazida pelo IBGE sobre Saúde
Escolar, reafirma tudo aquilo que vemos todos os dias espalhados pelos
corredores de nossas escolas. Uma juventude mergulhada num imenso vazio
existencial, carente de modelos que possam balizar a construção de seus
projetos de vida.
Os dados trazidos referentes ao primeiro gole, consumo de
álcool e embriaguez revelam o universo feminino assumindo a dianteira. Uma
propaganda desenfreada estimula que garotos e garotas iniciem, cada vez mais
precocemente, o mergulho numa cultura sem perspectiva. Sim, cultura como
prática coletiva de um jeito de viver. Quando os dados cruzados confrontam
redes públicas e privadas, é perceptível que o álcool não é apenas consumido
em escolas públicas. A ausência de um projeto educativo que ofereça
alternativas a essa juventude não escolhe classe social. O mergulho acontece
tanto em bairros de zona nobre quanto em ambientes periféricos. Estamos
diante de uma pesquisa que deve nos incomodar. Incomodar significa pensar
com seriedade esses temas vitais, trazendo-os para o centro de nossas
discussões pedagógicas. Qual o legado que deixaremos para essas gerações, se
temas gigantescos como esses são vistos apenas em eventuais palestras
oferecidas a uma comunidade adolescente e juvenil que está a exigir muito
mais?
A pesquisa oferece um outro dado de nossas suspeitas. As
meninas estão fumando mais que os guris. Nessa ânsia de busca desenfreada
pelo prazer,.elas quebram o paradigma comandando o nascimento de uma
adolescentocracia, onde não existe a palavra limite. Questões de saúde
pública são tarefas educativas. Escolas sem regras de condutas claras são
locais preciosos para a disseminação da cultura da droga. Ambientes
educativos sem projetos altruístas e solidários, tornam a palavra cidadania
uma coisa obsoleta.
A sexualidade explode. As gurias tomam a iniciativa. Se
conhecem os riscos de uma gravidez indesejada é irrelevante nessa busca em
que o senso comum estimula o prazer pelo prazer. Mais um tema para nosso
universo educativo. Se não fomos ensinados para lidar com essa realidade nos
bancos universitários é hora de, corajosamente, mergulharmos em projetos que
ajudem essa gurizada a ver luz e sinais de vida no fim do túnel. Educação
para o trânsito é papo sério. Quando perguntados se já pegaram carona como
alguém alcoolizado, há um empate entre sexos e uma aproximação entre as
redes de ensino. Admitem que já andaram. Um dia a gente aprende que as
estatísticas têm rostos. Eles são jovens. Seus projetos de vida foram
abortados. São filhos, amigos, namorados, namoradas. A vida merece mais que
isso tudo. A pesquisa segue tocando em temas candentes e sensíveis como a
violência e o bullying. Aqui, entre os entrevistados, 67.4% afirmaram já
terem sofrido algum tipo de preconceito.
Lições para tirar da seriedade desse instrumento? Desejamos
todos um Natal com qualidade de vida, cidadania, ética, solidariedade,
cuidado e defesa da vida. Esse poderia ser o grande presente que a sociedade
poderia se dar. Lição de casa para todos, todos os dias.
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