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Bem vindo a 2010. Movidos com a necessária esperança,
entremos numa nova jornada. Olhemos para trás e descobriremos muitas coisas
que deixamos de fazer num plano pessoal e comunitário. Elas estão lá em
nosso imaginário do janeiro de 2009. Somos teimosos. Afinal já estamos com
o pé nessa estrada. Construamos esse novo ano com os pés no chão.
Esse será um ano eleitoral. Quem sabe comecemos nos
perguntando em quem votamos nas últimas eleições? Se a resposta for sim,
mergulhemos em descobrirmos o que nossos eleitos fizeram de fato pela
sociedade como um todo ? Que projetos defenderam e a quem beneficiaram? Caso
concluamos que esse voto foi algo inútil, tenhamos a coragem de admitirmos
que aceitamos passivamente, o jogo da palavra bonita associada a uma prática
corporativa a quem delegamos a responsabilidade de pensar o que seja o bem
comum. Não se trata de votar em branco ou anular o voto. Isso em nada
reforçará o desejo de uma realidade melhor. Assumamos como projeto que, na
próxima eleição, lerei com seriedade quem são os candidatos e qual sua
história de vida. Meu desejo em 2010 é não votar em quem se envolveu em
corrupção. Temos o direito e o dever em perceber as contradições entre o
discurso do palanque, a história de vida de cada candidato e sua real
atuação em defesa da sociedade. O ano novo merece esse presente. Essa é uma
tarefa de todos nós. Ninguém pode tirar de nós esse poder.
Desçamos um pouco o andar da cidadania. Sabe aquele projeto
comunitário cuja bola quicando passa todos os anos perto de ti? Aquela mão
que está faltando para mudar a realidade daquele lixão da tua rua? Paremos
de reclamar e vamos nos engajar naquele projeto da comunidade. As tuas mãos,
a tua voz e o teu engajamento cívico poderão ,finalmente, fazer a
diferença. Isso depende da coragem de usar teu tempo livre e teu
conhecimento para que tua vizinhança respire um ar de cidadania planetária.
Conseguiremos entender o significado da expressão “eu fiz a minha parte”.
Chegue perto daquele asilo, daquela creche, daquele trabalho de recuperação
de jovens drogados. Quem sabe todos descubramos que somos, queiramos ou
não, parte do problema ou parte da solução.
Sigamos falando de decisões saudáveis para o ano novo que
começa. Que tal a bandeira da luta contra o preconceito? A cidadania precisa
que demos um basta ao bullying. Que 2010 seja o ano de acabarmos com nossa
conivência diante do massacre que promovem todos os bulistas. Chega de
fechar os olhos diante da marginalização dos gordos, magros, feios, nerds,
emos, boiolas, negros, aidéticos. Cidadania é aceitar que aprender o
significado da palavra respeito é respeitando e acolhendo a diversidade.
Que esse ano que começa seja marcado pela delicadeza e
gentileza. Que todos reaprendamos o significado da palavra civilidade. Lugar
do lixo é no lixo. Essa história grotesca e real da latinha voando pela
janela do carro de último tipo já passou da moda. Aliás, velocidade é uma
grande babaquice. Civismo em tudo que praticarmos. Descobrir a força da
equipe, do companheirismo e do sonho em aprender a empreender. Que o ano que
chega ajude a superar as nossas soberbas e a vivermos a paixão pela magia da
cooperação, da reciprocidade, da responsabilidade pessoal e social. Bem
vindo a 2010.
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