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Uma redação de vestibular resgata uma palavra jogada no
vazio: civilidade. Faz bem para todos a arte de bem acolher as pessoas. Uma
questão de civilidade, palavra meia fora de fora de moda nos dias de hoje.
Quando crianças fomos educados para valorizarmos palavras simples como
obrigado, desculpa ou com licença. Isso não depende de grau de cultura.
Educação faz bem em todos os lugares. Chegar numa portaria de escola e ser
recebido com um sorriso, é estar diante de um cartão postal dessa
instituição, postura válida em qualquer lugar público.
Prestadores de serviço devem zelar por esse bem precioso
que se chama gentileza. É dever de quem recebe atender bem. Serviço público
mais ainda. Muitas vezes fico com a impressão de que, quem nos recebe,
parece estar prestando um favor. Assisti muitas cenas grotescas no
atendimento a idosos. Deveríamos todos cultivar a sabedoria estampada na
arte de bem receber. Entrar num táxi pode ser uma aula de gentileza ou
indelicadeza. Uma corrida curta não pode ser pretexto para que sejamos
xingados. O ar condicionado ligado deveria ser um simples exemplo de um
serviço bem feito. Vale a pena ouvir um elogio com a certeza de que lá
voltaremos.
Vivemos tempos em que as preocupações são de um imperativo
social altamente relevantes Isso é verdade. Aquecimento global,
intolerância religiosa mundial, crise financeira, problemas grandiosos que
também nos dizem respeito. Eles, porém existirão, com cara amarrada ou não.
Civilidade se pratica em todos os lugares.
Gentileza para com o meio ambiente, pode ser, não jogar
pela janela aquela lata de refrigerante, quando não cerveja, que acabou de
ser consumida. A cidadania agradece a esse pequeno gesto de educação. Sim,
boas maneiras e sensibilidade independem do saldo bancário. O lixo que se
espalha por lugares públicos, é fruto do descaso com que lidamos com aquilo
que a nós também pertence. Sob o pretexto de que alguém limpará, revelamos
nossa ausência completa de cuidado. Acabamos, por tabela, ensinando as novas
gerações que mundo “civilizado” estamos legando. Estranhamos quando crianças
e jovens não expressam a mínima noção do que seja consciência e delicadeza.
Falta-lhes o básico que se chama exemplo de vida. Parece piegas tudo isso,
porém, a desvalorização de normas simples de convivência acentua a
arrogância ou deselegância como tratamos quem de nós se aproxima.
Deveríamos todos nos envergonhar como agimos em nosso
entorno. Urgente é o resgate de regras simples de civilidade. Essa
simplicidade na forma de acolhida a cada pessoa, ajudaria no enfrentamento
dos pequenos e grandes problemas. A arte de escutar nos permite perceber que
temos muito ainda para aprender.
Sejamos gentis em tudo e com todos. Sejamos gentis conosco
também. Saibamos identificar nossas arrogâncias e soberbas. Aceitemos que
muitas vezes agredimos o mundo por palavras e gestos. Acreditemos que um bom
pedido de desculpas gera o sorriso que aproxima. Um bom abraço faz bem a
quem dá e a quem recebe.
Tudo isso para afirmar que saibamos viver intensamente essa
magia chamada humanidade. Precisamos todos de gentilezas e civilidade.
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