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Uma novidade está no ar nas bases curriculares das escolas
do Brasil. A Sociologia, assim como a Filosofia, chega para ser um
componente importante na formação da cidadania dos estudantes. Construir um
ser pensante, capaz de ler a realidade, é o desafio dessa disciplina chamada
Sociologia.
Quando falo numa disciplina construída sob a lente
fotográfica da juventude, imagino associar a seriedade dos conteúdos a serem
trabalhados, com as competências e habilidades necessárias para que cada
jovem possa compreender o mundo que o cerca. Ninguém compreende um
contexto amplo se não for capaz de dispor de elementos fortes que despertem
para o auto-conhecimento. Não consigo imaginar uma matéria vista apenas do
ponto de vista tradicional. Temos um grande desafio de gerar encanto na
arte de problematizar a realidade. Trazer o mundo para dentro de um grupo de
jovens fugindo do surrado discurso panfletário, exige aprender todo tempo.
Fazer os alunos enxergarem o nascimento de uma ciência social, permitirá
atualizá-la nos tempos modernos. Como nasceu a Sociologia é importante para
a percepção de sua atualização. Imaginemos um espaço didático aprofundando o
fenômeno da violência em suas mais diversas manifestações. A leitura do que
seja vida banalizada e cultura da barbárie torna-se importante para que eles
possam sair do chamado senso comum. Fazê-los entender a repercussão em suas
vidas juvenis dessa realidade individualista, é poder despertar uma
sensibilidade histórica, capaz de torná-los protagonistas de um mundo que
está sedento por respostas ativas, diferentes do caldo de indiferença social
que vivemos. Temos em mãos uma ferramenta preciosa de formação para o juízo
crítico.
Outra riqueza dessa novidade chamada Sociologia, é a
possibilidade de fazê-los mergulhar na formação das chamadas tribos urbanas.
Um desafio pedagógico para nós professores é poder contribuir para um
mergulho na própria construção da história da juventude. Ela cruza com a
própria história da humanidade. Que relação existe entre a guerra do Vietnam
e o movimento da contracultura pode ser uma chave de leitura para as
respostas que os jovens deram em seus respectivos contextos históricos.
Uma pesquisa sobre a militância estudantil dos anos 60, ajudará no
entendimento de conceitos chaves como cidadania, poder, democracia, direitos
civis. Nessa mesma balada podemos e devemos incluir as diversas formas de
expressão cultural dessa mesma juventude. A música, o teatro, a dança são
metodologias criativas para tornar essa aula um permanente fórum de
discussão existencial. É preciso tornar cada um de nossos alunos um
sociólogo em
potencial. Formar pessoas com autonomia capazes de discernir os fatos
sociais, trazendo-os para sua vida concreta. Somos aqui mediadores
importantes.
Imagino uma sala de aula como se estivesse construindo um
grande filme. Eles, os jovens, são os atores dessa produção. Essa
inquietação vital tornará essa novidade num momento forte de educação.
Temos um longo caminho para resgatar a Sociologia,
dando–lhe o lugar necessário para a formação de uma nova humanidade. A
escola como espaço de provocação, deve estar preparada para abraçar a vida
que a circula. Aqui reside um dos grandes encantos na relação entre ensinar
e aprender.
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