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Eles chegam barulhentos. Os abraços correm soltos em cada
ambiente escolar. Muitos, chegam pela primeira vez. Bate um friozinho
danado. Falam de férias, como se quisessem contar tudo em dois ou três
momentos. A magia do ano letivo está começando. Nos corredores da educação
infantil é uma lição de vida marcada pela novidade. Aquelas crianças chegam
para viver o encontro tão esperado com sua professora tão aguardada. Esses
mestres e sua habilidade em apresentar a escola para quem começa seus
primeiros passos, são verdadeiros diamantes. Lições de socialização que vão
se incorporando ao cotidiano de cada criança. A partilha dos objetos
escolares, o momento da chamada rodinha, formam noções de civilidade,
criando um clima cooperativo. Lá está ela, aquela mestra, fazendo as
mediações , contribuindo na gradativa ambientação. Os primeiros anos são
essenciais para a vida escolar que está começando.
Um pouco mais adiante, outras mudanças começam a acontecer.
As mudanças corporais se manifestam. A adolescência chega à escola. Chega a
crise do corpo que muda com todas as suas inseguranças. E o que falar das
mudanças de humor? Ingressa na escola o universo tribal traduzido nas
roupas, nos cortes de cabelos, na curtição dos estilos musicais. Aqui estão
aulas que não aprendemos nos bancos universitários. Esse conhecimento em
muito nos ajudará a entender o universo juvenil.
Chegam adolescendo, testando limites e exigindo firmeza.
Sonham com mestres que saibam harmonizar construção de um conhecimento
sólido com a necessária lucidez para entender essa pororoca de hormônios à
flor da pele. Competências e habilidades vitais para mudar uma realidade
pautada pelo senso comum. Temas cruciais para esse momento existencial ,pode
ser um significativo gancho na arte de ensinar.
Deixar de lado questões como sexualidade, drogas, bullying,
álcool, um ano eleitoral é negar a missão que temos em formar uma geração
com qualidade de vida. Ensinar a pensar, trazendo o mundo externo para
dentro do debate da sala de aula. Escola da vida se encontrando com a vida
da escola.
O verbo escolher não escapa dos desafios pedagógicos.
Questões intrincadas ligadas ao mundo do trabalho geram insegurança. Há no
ar uma grande sede em compreender o que significa a construção de um projeto
de vida. Para muitos alunos aqui já terão se passado algo em torno de quinze
anos. Chegaram crianças e saem para a vida em sociedade, levando consigo os
alicerces desenvolvidos em sua vida escolar. Marcas de uma educação moldada
a cada ano letivo.
Somos, instituições e educadores, fontes importantes na
vida de nossos educandos. O ano letivo que começa, passa pela forma como o
organizamos. Começa, já no primeiro dia de aula, um momento muito sensível
para traduzir, com palavras e gestos, o quanto que para nós significa o
verbo acolher.
A esperança trazida pela comunidade de alunos precisa ser
corporificada pela energia de uma escola disposta a ser resposta de vida em
2010. Pé na
estrada. Fé na vida. Vamos lá fazer o que será.
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