|
Para o mundo cristão estamos entrando no período da
Quaresma. Esse é um tempo precioso para que o grande acontecimento da
Páscoa, traga a grande novidade da renovação. A palavra chave é conversão.
Algo que foge por completo a um mundo que contempla uma sociedade que
personaliza a coisa e coisifica o ser humano. A lente fotográfica com que
olhamos a humanidade do ponto de vista da fraternidade, exige uma mudança de
cultura.
Economia e Vida é o tema da Campanha da Fraternidade de
2010. Uma campanha de caráter ecumênico construída pelo Conselho Nacional
das Igrejas Cristãs do Brasil. Estamos diante de um tema provocador e
transversal. Começa pela definição do tema da CF 2010 enfocando a palavra
economia no centro de uma cultura que privilegie a vida em todas as suas
manifestações. Economia significando a administração da casa, a grande
habitação preparada para que todos os seres humanos vivam com dignidade o
mundo da fraternidade. O tema de 2010 mexe numa questão central da
solidariedade universal que diz respeito a construção de condições de vida
reais, condições que extrapolam discursos de palanques eleitoreiros. A
Fraternidade não possui cor partidária e nem pode estar alicerçada a esta ou
aquela bandeira ideológica.
“Vocês não podem servir a Deus a ao dinheiro”, um lema
questionador da CF 2010. Antes que alguém transforme esse lema num simples
discurso político, a Campanha de 2010 questiona a sociedade sobre temas
cruciais da sociedade civil. Mexe com profundidade na questão ambiental,
denuncia o surgimento de uma cultura que mercantiliza a água, denuncia que o
Brasil é o quarto emissor de gases do efeito estufa. Acentua a agressão que
é feita ao meio ambiente traduzido em palavras conhecidas por todos nós como
poluição, desmatamento, queimadas. Sim, um momento forte de questionamento
de uma realidade excludente.
Interpela a todos sobre o significado que damos aos bens
gerados para serem benefícios de todas as camadas sociais. A CF de 2010
quando fala em conversão, questiona a cada um de nós sobre o significado
que damos aquilo que é essencial e acessório na vida humana. Mexe com
seriedade na cultura do consumismo, da busca desenfreada do prazer pelo
prazer, da construção de uma relação que acentua o individualismo, o
endeusamento das vaidades e futilidades. A vida é muito mais que isso.
Desafia aqui para uma educação preventiva de valorização da simplicidade e
da civilidade nas novas gerações a quem temos a missão de educar, tarefa
intransferível.
Existe um convite para irmos além de uma Campanha da
Fraternidade ecumênica. Falar da vida como bem maior e , encontrar na
solidariedade as saídas para essa cultura humana banalizada e barbarizada,
é convite para perceber as diversas faces do rosto de um Deus que fala por
atitudes amorosas, na compreensão da palavra economia que é a administração
da casa. Estamos todos num mesmo barco a buscar, na cultura da paz e da
vida, um novo jeito de pensar a humanidade e todas as suas manifestações.
Que todos tenham vida e vida em plenitude, ensina Jesus de Nazaré. Uma fala
universal e atual.
|