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Daqui há pouco começam as aulas. Escolas receberão crianças
e jovens que trazem consigo sentimentos muitas vezes opostos. Muitos chegam
carregados da curiosidade sadia diante do desafio de mais um ano letivo.
Outros ,chegam pela primeira vez, carregados pelas mãos de seus pais. Quem
será minha primeira professora? Quem serão os colegas com quem irei brincar
e aprender?
Muitos chegam mergulhados no vazio existencial. Um olhar
distante, revela a ausência de laços afetivos. O que pode representar a
escola para esses quase desistentes? Ouço, aqui e acolá, que não é possível
fazer educação. Façamos de contas que isso seja verdade. Não posso ser
professor, porque os poderes constituídos tratam educação como uma sucata.
As condições de trabalho inexistem, tanto as de caráter material, quanto de
formação. Sim, isso tudo é uma grande verdade. Então, só me resta entregar
os pontos. Dane-se a geração que acaba de chegar em minha escola. Quando
tocar o sinal para início das aulas anunciarei que não poderei ser
professor. Façam o que quiserem, vão para os corredores e se ocupem com o
que quiserem. Qual será o final dessa história?
Maravilha tudo isso, dirão os que traficam a vida. Os
vendedores da ilusão da droga ,tenha ela o nome que tiver, sentirão como se
estivessem em casa.
Estamos diante de uma encruzilhada. O “Entre os muros da escola” real, exige
uma escolha de nossa parte. “Escritores da liberdade“, outro filme
magnífico, estimula nossa teimosia. Somos educadores dispostos a aprender e
ensinar lições de vida que sejam para toda a vida.
Amanhã tem aula. Quando abrirmos as portas daquelas salas
de aula, iremos nos deparar com um grupo que estará a nos olhar. Seus olhos
falarão de muitas coisas. Alguns com roupas velhas e mochilas surradas.
Outros com material escolar novo, arrumados, revelarão poder aquisitivo, nem
sempre associado a presença de adultos saudáveis. Que estão eles a fazer
naquelas salas de aula?
Aquele olhar brilhante daquela criança de cinco anos quando
vê sua professora chegar, é impagável. Aquele mestre que circula no meio dos
adolescentes sem trocar papéis, torna-se fundamental numa etapa em que eles
estão procurando referências humanas.
Há uma novidade a ser escrita. Um ano novo com seus
desafios e questões emblemáticas. Se o desafio é organização como grupo,
sejamos defensores da causa da educação. Não falei, defensores desse ou
daquele sindicato. Educar é muito mais que isso. Se nos falta clareza sobre
o rumo de nosso projeto pedagógico, é mais do que hora de pensarmos sobre
ele. Afinal, quais sãos as diretrizes que sustentam nosso jeito de ensinar
como coletivo? É claro que instituições e seus instituidores são peças
importantes. Se tivessem essa clareza, poderíamos dizer que constituem a
alma de uma escola, exemplos a serem seguidos. A burocracia emperra o sonho
e acomoda nossas vontades.
Começa aqui uma caminhada. Penso que cada criança e cada
jovem deseja encontrar um parceiro na aventura do aprender lições sábias de
conhecimento e vivências permeadas pela cidadania, pela ética e pelo
cuidado.
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