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Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro. Encanta-me o
lema da Campanha da Fraternidade de 2010. Entre os grandes desafios
trazidos, um deles, é a reflexão sobre a questão do consumo. Quando nos
deparamos com cenários de completo vazio existencial de nossa juventude,
podemos vislumbrar alguns elementos que provocam essa perda de uma vida com
qualidade em todos os sentidos. Estamos diante de uma Campanha que mergulha
na vida real de todos nós.
A cultura do consumo percebida em suas grandes catedrais
que são os shoppings, cria uma identidade de personalização do objeto e de
coisficação do ser humano. Estamos falando de um cenário que mensura a marca
da mochila, o tipo de tênis e o poder do celular que está nas mãos do seu
dono. E, de repente, eles se sentem deuses. Nasce uma casta onde pensar,
ler, escrever é algo completamente deletado. Afinal, fazer o que se gosta é
diferente de gostar do que se faz. Legal é horas e horas tomando banho de
sol. Dormir de madrugada e acordar por volta de 14 horas. Comer e voltar a
dormir. E, quando a noite vem, é preciso estar produzido para os grandes
embates amorosos que não passam de um ficar noturno. Há um endeusamento do
ócio inerte. Nesse início de ano letivo, muitos passeiam na escola, fazendo
dos shoppings um lugar farto de aprendizado. Uma vida vazia estampada
naquela vitrine vista, quantas vezes mesmo?
Somos educadores dessa geração sexualizada por uma mídia
que agride a infância acelerando seu processo de maturação. Ainda hoje a
boneca Barbie, é um símbolo de uma cultura que define o padrão de beleza,
separando as eleitas, daquelas deserdadas. Grande coisa se isso gera
aneroxia. E o sonho segue sendo alimentado. No vazio existencial o negócio é
ser jogador de futebol, atriz ou modelo. As referências fundantes dessa
geração possuem nomes e endereços. Estão estampadas em suas vestimentas,
cortes de cabelos, som. São tribos mergulhadas numa vida sem sentido. Aqui
nos deparamos com uma encruzilhada. O caminho mais comodista é afirmar que
tudo isso não nos diz respeito. Aceitar, porém, que atrás dessa conduta sem
significado vital, está um pedido de ajuda, é um convite para um mergulho na
luta por uma geração com um outro parâmetro de pensar e construir o mundo.
Aqui está o encanto pelo verbo educar. Sei também, caro leitor, que falta
mergulhar em outros rostos juvenis. Façamos juntos isso.
Ao escolhermos o caminho árduo da sensibilidade e da
formação comunitária, estamos oferecendo uma resposta que não está pronta. O
vazio existencial precisa de outro alimento. Essa sede por outros caminhos é
a luz do fim do túnel numa geração fadada a mergulhar na cultura da droga,
alimento para dar sustentação ao basismo e ao trivial. Nossas escolhas
pedagógicas precisam definir com clareza como pretendemos enfrentar esse
desafio. A educação para os tempos líquidos está a exigir a sinergia entre
educar para valores essenciais com lições de altruísmo que valorizem essas
escolhas. No campo da educação somos semeadores. O solo é desafiador. Se
fosse fácil, a cultura do consumismo nos daria as respostas.
Queremos servir a vida em plenitude ou assistirmos esse
circo maquiado de felicidade? Aqui está um grande desafio dessa Campanha.
Assumir a luta do amor ao próximo, indo além das aparências. Que escola
somos e que geração desejamos formar? Realmente não podemos servir a
educação para a vida cultuando e abençoando o individualismo. Um Deus que
fala da vida não é o mesmo que mercantiliza a mesma. Questão central de
nosso projeto educativo.
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