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Se perguntássemos a nossos alunos onde fica Porto Príncipe,
tempos atrás, correríamos o risco de uma resposta rumo ao desconhecido. O
Haiti entrou pela janela de nossa casa, ingressou nas salas de aula, é tema
de colóquios, aqui e acolá. Quando tecermos nosso olhar sensível sobre a
canção “Haiti” do Caetano Veloso, veremos que é possível fazer uma análise
da letra atualizada. O Brasil de hoje, apesar de suas desigualdades, está
longe do pesadelo que vivem nossos irmãos haitianos. A geografia do mundo
precisa ser escancarada para nossas comunidades escolares. É uma questão
central de educação para a cidadania. Educar para um olhar permeado por uma
sensibilidade e solidariedade histórica, é contribuir para que a geração que
aqui está, se aproprie da realidade que a cerca. Incentivá-los para viver
seu projeto de vida é tarefa recorrente de qualquer escola. A escola da vida
passa na vida da escola.
Se parássemos para pensar, tempos atrás, o que são bondes e
tribos, estaríamos muito distantes do pensamento social dos dias de hoje.
Compreender o Fenômeno Juvenil que está posto, é tarefa de casa de todos nós
educadores. Entender que essa forma de organização costurada pela cultura da
banalização humana e da barbárie, permite que busquemos, coletivamente, as
saídas para reverter, mesmo que em parte, esse caldo de indiferença, é ato
pedagógica vital. É preciso ir além do preconceito social. Bondes e tribos
estão em todas as esferas sociais. O episódio acontecido no Parque da
Redenção em Porto
Alegre, domingo passado, não pode ser apenas uma notícia de uma crônica
policial. É preciso ir além da fala pedagógica correta. Imagino que a arte,
a dança, o teatro e a música sejam ferramentas de leitura social adequadas.
O grafite, por exemplo, pode ser um significativo instrumento de educação
para a paz. Os ensaios pedagógicos sérios, já feitos, confirmam essa tese. O
mesmo se aplica para a capoeira, forte elemento agregador de grupo em torno
de um ritmo que convida ao desarmamento de corações. Talvez isso tudo exija
que a escola se abra para sua comunidade. Afinal, não é isso mesmo que
buscamos como instituição educadora?
E o que falar do bullying? Agressores, agredidos e
indiferentes convivem no mesmo espaço. Uma princesa japonesa colocou no
palco da vida a chamada violência recorrente com todos os sintomas que a
mesma provoca. Vemos esse cenário todos os dias. Muitas vezes reforçado pela
conduta de pais que educam seus filhos para uma cultura onde deve prevalecer
a lei do mais forte. Aqui, o cinema é um forte aliado para aprofundarmos
como se manifesta o bullying. Trazer o conteúdo visto para a realidade
vivida, é desenvolver competências e habilidades, palavras fortes numa
pedagogia que nos desafia para ir além do conteúdo ministrado. Essa
associação entre conhecimento e vivência cidadã, é o legado que podemos
deixar para as gerações que passarão por nossas mãos.
Poderíamos ir longe nessa reflexão... Que escola queremos?
Que comunidade de educadores somos nós? Que conceitos sobre ética desejamos
ensinar? Que perguntas vitais a realidade que nos cerca,nos faz formular?
Sim, somos o que fazemos com o nosso tempo.
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