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João Artur

Teólogo e Editor

Símbolo da cruz

 

Entre os símbolos que o cristianismo cultiva encontramos a cruz. Ela está nos altares dos templos, esculpida em pedra ou madeira, ela é uma joia em prata ou ouro, ela encontra-se nos logotipos de organizações eclesiais. Para os cristãos, a cruz, que já existia em outras culturas, passou a ter significado depois que Jesus, o Filho de Deus, foi condenado à morte na cruz. Ela foi sua pena de morte.

Todas as pinturas e representações da cruz passam longe da primeira cruz, aquela usada pelas autoridades romanas para pendurar o nazareno Jesus. Naquela época, a cruz era baixa, fabricada a partir de uma árvore pequena, a oliveira palestinense. Ela não excedia a altura de um homem, e por isso o condenado devia ficar de joelhos dobrados para ser acomodado em seu instrumento de morte. Agonia e dor sofriam as pessoas condenadas a morrer na cruz.

Lugar que concentra o maior número de cruzes é o cemitério cristão. De diversas formas e tamanhos, são erigidas com o propósito de comunicar esperança na ressurreição. Como explicar que um instrumento de morte pode transformar-se em testemunho de vida? Não existe aí uma contradição? Como se explica que um instrumento de morte se converte num instrumento de vida? Como entender que a cruz usada para sacrificar malfeitores simboliza a esperança na vida além da morte?

A cruz passa a simbolizar esperança a partir da ressurreição de Jesus no domingo da Páscoa. Sem a Páscoa, ela segue sendo instrumento de tortura e morte. Com a Páscoa, a cruz converte-se no símbolo de esperança que transcende a morte, que vai além da finitude humana. Leonardo Boff bem nos lembra: “Ressurreição não é sinônimo de reanimação de um cadáver, uma volta à vida mortal anterior. Ressurreição é uma revolução na evolução porque transporta o ser humano ao termo da história, realizando-o absolutamente. Por isso ela comparece como a concretização da utopia do Reino nesse homem concreto, Jesus de Nazaré”.

Desse ponto de vista, não vivemos para morrer. Mas morremos para a vida eterna. A partir da Páscoa, a tristeza cede lugar à alegria.  Então, olhar para a cruz é olhar para a vida além da morte. Desse olhar brotam serenidade, confiança, esperança e fé no Senhor Ressurreto.

 

E-MAIL DO COLUNISTA: jocadasilva@hotmail.com

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