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Entre os símbolos que o cristianismo cultiva encontramos a
cruz. Ela está nos altares dos templos, esculpida em pedra ou madeira, ela é
uma joia em prata ou ouro, ela encontra-se nos logotipos de organizações
eclesiais. Para os cristãos, a cruz, que já existia em outras culturas,
passou a ter significado depois que Jesus, o Filho de Deus, foi condenado à
morte na cruz. Ela foi sua pena de morte.
Todas as pinturas e representações da cruz passam longe da
primeira cruz, aquela usada pelas autoridades romanas para pendurar o
nazareno Jesus. Naquela época, a cruz era baixa, fabricada a partir de uma
árvore pequena, a oliveira palestinense. Ela não excedia a altura de um
homem, e por isso o condenado devia ficar de joelhos dobrados para ser
acomodado em seu instrumento de morte. Agonia e dor sofriam as pessoas
condenadas a morrer na cruz.
Lugar que concentra o maior número de cruzes é o cemitério
cristão. De diversas formas e tamanhos, são erigidas com o propósito de
comunicar esperança na ressurreição. Como explicar que um instrumento de
morte pode transformar-se em testemunho de vida? Não existe aí uma
contradição? Como se explica que um instrumento de morte se converte num
instrumento de vida? Como entender que a cruz usada para sacrificar
malfeitores simboliza a esperança na vida além da morte?
A cruz passa a simbolizar esperança a partir da
ressurreição de Jesus no domingo da Páscoa. Sem a Páscoa, ela segue sendo
instrumento de tortura e morte. Com a Páscoa, a cruz converte-se no símbolo
de esperança que transcende a morte, que vai além da finitude humana.
Leonardo Boff bem nos lembra: “Ressurreição não é sinônimo de reanimação de
um cadáver, uma volta à vida mortal anterior. Ressurreição é uma revolução
na evolução porque transporta o ser humano ao termo da história,
realizando-o absolutamente. Por isso ela comparece como a concretização da
utopia do Reino nesse homem concreto, Jesus de Nazaré”.
Desse ponto de vista, não vivemos para morrer. Mas morremos
para a vida eterna. A partir da Páscoa, a tristeza cede lugar à alegria.
Então, olhar para a cruz é olhar para a vida além da morte. Desse olhar
brotam serenidade, confiança, esperança e fé no Senhor Ressurreto.
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