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João Artur

Teólogo e Editor

Quatro coisas irrecuperáveis

 

Existem quatro coisas que não se recuperam:

a pedra... depois de atirada!

a palavra... depois de proferida!

a ocasião... depois de perdida!

o tempo... depois de passado!

Quando a pedra arremessada atingiu um amigo ou a vidraça da casa do vizinho, não tem mais jeito. O estrago está feito. O prejuízo causado. O arrependimento do gesto. Só restam uma esperança e uma nova atitude. A esperança de que a ferida causada não seja grave ou de que a vidraça não custe caro. A nova atitude é ir ao encontro do amigo e prestar-lhe socorro e pedir perdão, mostrar nosso arrependimento. Ou confessar ao vizinho a culpa da vidraça quebrada e prometer não mais atirar pedra contra a sua casa.

Estamos dispostos a manifestar nosso arrependimento?

Quando proferimos palavras duras ou xingamentos verbais, causamos danos e mágoas profundas em nossos amigos, em nossos familiares. O estrago está feito. A mágoa está provocada. O arrependimento da fala. Só restam uma esperança e uma nova palavra. A esperança de restabelecer o diálogo fraterno e amigável. E a  nova palavra carregada de bons propósitos e bons sentimentos.

Estamos dispostos a promover o entendimento?

Quando a ocasião de ser solícito com um desconhecido  ou de ser solidário com os necessitados for perdida, não tem como reparar a oportunidade perdida. Sobra a lamentação de não ter aproveitado a ocasião. O arrependimento da omissão. Só restam uma esperança e uma decisão. A esperança de que o desconhecido nos tenha perdoado, de que os necessitados tenham  recebido apoio e auxílio. E a decisão de estar disposto a  colaborar e ser solidário na hora em que for preciso.

Estamos dispostos a evitar a omissão?

Quando o tempo passou e a gente dá-se conta de que o desperdiçou com bobagens, não há mais o que fazer. Não tem como voltar atrás para corrigir as falhas, os erros. O arrependimento do tempo perdido. Só restam uma esperança e um compromisso. A esperança de que nem tudo estava errado no tempo passado. E agarrar-nos ao compromisso de não desperdiçar o tempo presente e o tempo futuro.

Estamos dispostos a firmar esse compromisso?

Fiquemos atentos, pois, para as quatro coisas que não se recuperam: a pedra... depois de atirada; a palavra... depois de proferida; a ocasião... depois de perdida; e o tempo... depois de passado.

 

E-MAIL DO COLUNISTA: jocadasilva@hotmail.com

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