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Não vale a pena imitar Rosa
Luxemburg, Dolores Ibarruri e Olga Benário.
Mas, seguramente, vale a
pena lembrá-las
Conheço a Luciana Genro
desde que ela, jovenzinha, lecionava inglês na escolinha Lollypop criada por
minha mulher Judith e pela Renée Stein. E desde aquela época admiro a sua
incrível energia, a sua férrea disposição de mudar as coisas. O e-mail que
me mandou na semana passada mostra que é a mesma Luciana. Diz a mensagem:
"Por acaso assististes na internet ao discurso do Barack Obama, Yes, we can?
Vale a pena, é muito bom. Em suma, ele diz que é muito fácil dizer que não
dá. Mas que quando os líderes inspiram o povo a fazer melhor, este povo
acredita e faz. E esta é uma força incomensurável. Eu acredito que através
da pedagogia do exemplo podemos mostrar que outra forma de fazer política é
possível e, principalmente, que propósitos nobres para fazer política
existem."
Luciana Genro, que é do PSOL,
compõe com Manuela DÁvila (PC do B) e Maria do Rosário (PT) o trio de
candidatas à prefeitura de Porto Alegre. Três mulheres jovens, bonitas,
cultas, inteligentes; três mulheres que representam um orgulho para o Rio
Grande e que se filiam a uma antiga tradição de mulheres lutadoras, que
marcaram a história de nosso mundo.
De quem estou falando? Estou
falando, em primeiro lugar, de Rosa Luxemburg (1871 - 1919), uma jovem de
espírito libertário que desde os 13 anos militava na política. Com seu
marido, Leo Jogiches, e outros jovens, criou o partido socialista na
Polônia, estudou na universidade e foi uma das primeiras mulheres a concluir
o doutorado em Ciências Políticas. Fixou-se em Berlim, militando no Partido
Social-Democrata da Alemanha dentro de um grupo que ficou conhecido como
Liga Spartacus (Spartacus sendo o gladiador que comandou uma revolta contra
o Império Romano). Em 1919, junto com o também líder Karl Liebknecht, foi
presa por paramilitares do Freikorps, um grupo precursor dos nazistas. Rosa
e Karl foram assassinados e seus corpos jogados num canal. O dramaturgo
Bertolt Brecht escreveu para ela um epitáfio famoso: "Aqui jaz Rosa
Luxemburg, judia da Polônia, vanguarda dos operários alemães, morta por
ordem dos opressores". E conclui com uma frase que depois se revelaria
profética: "Oprimidos, enterrai vossas desavenças!".
Estou falando de Dolores
Ibarruri (1895 - 1989), La Pasionaria, que, como Rosa Luxemburg, era casada
com um operário ativista político (tiveram seis filhos dos quais quatro
morreram por causa da extrema pobreza). Dolores editava o jornal Mundo
Obrero, que, entre outras causas, defendia melhores condições de vida e de
trabalho para as mulheres. Quando estourou a guerra civil espanhola, ela
tornou-se uma líder da resistência contra as tropas de Franco e ficou famosa
pelo slogan No pasarán!. Com a derrota dos republicanos foi para a União
Soviética, onde o filho que lhe restava, Rubén, morreu na batalha de
Stalingrado contra os nazistas. Com a morte de Francisco Franco, em 1975,
retornou à Espanha, foi eleita deputada e ajudou a libertar o Partido
Comunista espanhol da influência do stalinismo.
E, claro, estou falando de
Olga Benário (1908 - 1942), a jovem militante alemã que veio para o Brasil
acompanhando Luís Carlos Prestes, com quem casou e com quem partilhou uma
vida revolucionária, encerrada de maneira trágica quando ela, presa pela
polícia do Estado Novo, foi enviada para a Alemanha nazista, onde veio a
morrer num campo de concentração.
Cometeram erros, essas
mulheres? Cometeram muitos erros. A ideologia à qual aderiam partia do
princípio de que os fins justificam os meios e isso significava que tudo era
válido para defender uma causa que, em princípio, era grande e generosa. Os
erros de militantes do passado, homens e mulheres, já foram sobejamente
apontados e discutidos; mas é bom lembrar que além dos erros havia o
heroísmo de grandes mulheres. Talvez não valha a pena imitá-las. Seguramente
vale a pena lembrá-las.
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