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Homens são de Marte, mulheres são de Vênus. Se vocês têm
alguma dúvida sobre o êxito dessa fórmula, usada pelo psicólogo John Gray no
título de um milionário best-seller, entrem no site dele. O binômio Marte &
Vênus é um verdadeiro negócio: há livros sobre o assunto, há ofertas de
consultas, de suplementos nutricionais, de dietas, de franchises, de
encontros online. Com o que ficou definido: nós, homens, somos de Marte.
Isso não vem de hoje, claro. Desde que os seres humanos começaram a olhar
para o firmamento, a associação dos corpos celestes com nossos temperamentos
e nossos destinos tornou-se coisa habitual. Saturno, pesado e lento, é o
planeta da melancolia, e até hoje o termo “saturnino” o lembra. Vênus evoca
a deusa do mesmo nome, sempre retratada como uma mulher linda: é o planeta
do amor e das mulheres.
Para o sexo masculino sobrou Marte. É o deus da guerra, e,
tirando as amazonas, quem eram os guerreiros, se não os homens? É também o
planeta vermelho e, apesar da possível irritação dos gremistas a respeito,
convenhamos que essa é a cor da luta, adotada pelos revolucionários desde o
século 19.
Aí chegamos aos marcianos. Seres imaginários, claro. Mas a
imaginação ficcional nunca foi muito favorável aos habitantes de Marte. Em
filmes e livros, aparecem como estranhos homenzinhos verdes, e o verde, por
ecológico que seja, não funciona muito bem em termos de pele, nem de
caráter: falamos que uma pessoa está verde de inveja. Os marcianos são
deformados, têm olhos enormes, antenas (será o órgão fálico deles?),
caminham desengonçados. Estão sempre armados com pistolas de raios
mortíferos. Quando descem de suas naves espaciais – sim, porque o sonho
deles é chegar à Terra – dirigem-se aos aterrorizados soldados americanos
com uma frase em voz metálica: “Levem-nos a seu líder” (pobre do Obama).
Conclusão: se nós, homens, somos de Marte, estamos, em matéria de imagem,
bem arranjados.
Mas felizmente a nave que traria os marcianos à Terra em
geral passa por Vênus. E essa é uma escala abençoada. Ali estão as mulheres,
lindas, doces, meigas. Ali está o amor. E o amor transforma os homens, como
transforma as mulheres. O verde da pele dá lugar ao rubor da paixão. As
antenas somem. As pistolas são esquecidas num canto qualquer. Claro,
continuamos a dizer: “Levem-nos a seu líder”, mas agora sabemos que só há um
líder ao qual vale a pena obedecer, e este líder é o nosso coração. John
Gray acertou, ainda que pelos motivos errados: homens são de Marte, mulheres
são de Vênus. E é bom que continue assim.
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