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Segundo ouvi na Rádio Gaúcha, o volante Guiñazu teve de
deixar o treino do Inter mais cedo na sexta-feira da semana passada. O
jogador ficou desidratado. Por quê? Porque costuma treinar com jaqueta de
náilon, mais um moletom e mais uma camiseta. Objetivo: suar, e suar
abundantemente.
Não é só o Guiñazu que faz isso. Na minha turma de basquete
havia um gordinho que, antes do jogo, se enrolava em plástico – isso mesmo,
plástico. Como se fosse um pacote. Aliás, por causa disso ganhou o apelido
de Pacotinho. Isso sem falar nas saunas, que são provavelmente os lugares
mais quentes do mundo – não é por nada que a gente chama a Porto Alegre do
verão de sauna. E por último, existem as substâncias chamadas diaforéticas,
que fazem a pessoa suar. A maioria delas são encontradas em plantas:
manjericão, cânfora, cardamomo, canela, cravo-da-índia, efedra, eucalipto,
gengibre, sálvia, tomilho. A medicina tradicional chinesa recorre muito a
essas plantas, mas a medicina ocidental, ao tempo dos gregos, também incluía
a sudorese forçada como recurso terapêutico.
A pergunta é: de onde vem esse costume? No Antigo
Testamento, Deus pune Adão por comer o fruto proibido dizendo que ele terá
de ganhar o pão com o suor de seu rosto. Mas neste caso, convenhamos, suar é
visto como castigo, não como coisa benéfica. Deus não está dizendo que, se
Adão frequentar uma sauna ganhará panetones em abundância. Está falando em
trabalho, trabalho duro, não tarefas amenas realizadas em confortáveis salas
com ar-condicionado. De qualquer modo, ficou a noção de que suar é bom para
a saúde. E por que seria bom? Em primeiro lugar porque o suor eliminaria as
toxinas. No suor, de fato, são eliminadas diversas substâncias, mas algumas
delas, os sais minerais por exemplo, podem fazer falta para o organismo. De
qualquer modo, as doenças para as quais se indicava a diaforese – em geral
doenças infecciosas – têm tratamento muito mais eficiente através dos
antibióticos e de outros medicamentos.
Muitas pessoas acreditam que suar faz perder peso. E, de
fato, se perde peso pelo suor, às vezes muito peso. Mas isso resulta apenas
da desidratação, como aconteceu com o Guiñazu. E o organismo se defende,
fazendo com que tenhamos sede e retendo o líquido até compensar o que foi
perdido – e às vezes não compensa a perda de sódio e potássio, levando a
pessoa a ter cãibras e outros problemas. A propósito: é um mito dizer que
não se pode beber água durante exercícios físicos. Pode-se e deve-se beber
água, mas em pequenas quantidades de cada vez.
De qualquer modo, o Guiñazu ensinou uma lição não só aos
torcedores como ao público em geral. E não é isso que se espera de um bom
atleta?
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