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Muitos escritores se
notabilizaram em estórias infantis, e Hans Christian Andersen, escritor
dinamarquês, foi um deles e de cuja obra extraímos a estória infantil, “O
Caracol e a Rosa”.
Existia um belo jardim de
rosas, e sua volta era belo pasto verde. Sob o céu azul e fofas nuvens
brancas, as vacas e os carneiros pastavam alegremente. As rosas eram cheias
de alegria e voltavam suas faces para o glorioso sol. Debaixo das rosas
floridas, vivia um caracol. Com uma enorme casa em suas costas, ele sempre
dizia: “Não me aflijo com o que acontece com qualquer um! Tenho tudo o que
necessito”. Ele estava sempre fechado em sua confortável casa. Nas raras
ocasiões que ele tirava sua cabeça para fora, estava cheio de arrogância e
despeito.
Rastejando pelo jardim
úmido, ele observou as rosas: “Vocês nunca aprendem? Tudo o que fazem é
florescer! Vocês fazem a mesma coisa ano após ano. Estou indo fazer algo
maior do que florescer, maior do que carneiros e vacas a darem lã e leite”.
Ridicularizando as rosas, ele encheu-se de orgulho e declarou que era
superior a todos os outros. Mesmo que fossem abertamente ridicularizadas, as
rosas não ficaram rancorosas.
“Certamente esperamos que
você atinja algo grandioso. Quando, entretanto, poderemos ver seu
empreendimento?”, elas perguntaram. Embora o caracol fosse rápido para
jactar-se, elas queriam saber exatamente o que ele iria realizar e quando. O
caracol retrucou que as tolas rosas não compreenderam seu grande plano e
retirou-se à sua magnífica casa da qual tanto se orgulhava.
A estação das flores chegou
novamente. As rosas erguiam suas cabeças para o céu azul e deleitavam-se da
suave luz e cálida brisa.
Então o caracol apareceu
novamente.
As rosas responderam,
ralhando-lhe suavemente: “Podemos não ser espertas, mas somos felizes e
desfrutamos nossas vidas ao máximo. O sol é gentil e caloroso, o ar é doce e
a chuva tão agradável. Somos felizes. Fitando os amplos pastos verdes,
florescemos, porque somos felizes! Quando tomamos profunda respiração, as
riquezas da terra surgem em nós e nos nutrem. Os nutrientes caem do céu para
nós. Somos felizes, alegres e assim cantamos!” Mas as rosas perguntaram-lhe
carinhosa e calidamente: “Uma vez que você, caracol, é tão importante, não
seria mais feliz do que nós? O que você, em toda a sua grandiosidade, deu ao
mundo? O que tem feito pelos outros?”
Quando perguntaram isso,
tudo o que o caracol pôde fazer foi repetir sua costumeira resposta: “Eu não
cuido do mundo! Eu posso fazer o que quiser, por eu mesmo!” E mais uma vez o
caracol fechou-se em sua concha e bateu a porta. As rosas olharam-no com
piedade.
“Quão triste! Nunca
poderíamos fechar-nos numa concha. Sempre estivemos do outro lado,
florescendo! E nós queremos fazer algo pelos outros no mundo! Isso é que é
felicidade”.
Estamos identificados com as
rosas ou com o caracol? A resposta está com cada um de nós.
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