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Mergulhar em países de
cultura diferente, com séculos de história, para prospectar características
e diferenciais de ensino, é tarefa complexa e delicada, porque fatalmente se
está diante do risco de emitir juízo de valor e fazer comparações, o que é
absolutamente desaconselhável.
Tendo tido o privilégio de
imersão de duas semanas na vida e cultura da Escócia e Irlanda, em ambas as
capitais, Edimburgo e Dublin, respectivamente e visita a cerca de 12
instituições, recolhi interessantes observações que talvez ajudem a refletir
melhor sobre a nossa realidade na educação.
Integram meus registros
centenas de fotos digitais e quase sete horas de filmagem, o que garante
subsídios documentais preciosos para ilustrar apresentações e comprovar o
que os olhos viram e o coração sentiu. A síntese deste vasto material
documental - imagens e áudio - vai exigir algum tempo de processamento e
elaboração.
Confesso que voltei
impressionado com o ambiente escolar em ambos os países, sem nenhuma
sofisticação, mas extremamente rico em termos de estímulo à aprendizagem e
comovente em termos humanos.
Não há cartão de visita mais
encantador do que a amabilidade na recepção ao visitante, a percepção da
educação e respeito dos alunos, que conduziram os integrantes de delegação
brasileira em grupos para conhecer o ambiente escolar, com acesso a salas de
aula, com condições de observar as atividades em andamento, inclusive sendo
brindados com apresentações musicais em desenvolvimento naquele momento.
Chamou à atenção a atmosfera
de aprendizagem nas salas de aula, a tranqüilidade e a disciplina de
trabalho, com deslocamentos ordeiros, respeitosos, dando a preferência de
passagem aos visitantes e comovente simpatia dos alunos, inclusive os
menores, com a delegação brasileira. Impressionou o uniforme de todos os
alunos, em todos os níveis, como valor da cultura educacional, revelando
orgulho pelo que ele representa.
Surpreendeu a existência de
algumas escolas de um sexo só tanto quanto a profusão de internatos,
verdadeiro centro internacional de excelência, com alunos de todas as partes
do mundo.
Os ambientes educacionais
convidam para a atividade de aprendizagem, com presença universal de
recursos tecnológicos tanto nas escolas públicas quanto nas independentes,
como são conhecidas as particulares, o que particularmente me agradou muito.
Ao lago dos mais avançados recursos tecnológicos - em algumas escolas, cada
aluno tem seu laptop - há atividades que, de certa forma, foram abolidos por
aqui: salas para trabalhos manuais em madeira, costura, arte, música,
esporte nas mais variadas modalidades, enfim, escola que prepara para a
vida.
Os professores -
rigorosamente selecionados pelo diretor - estão comprometidos com a
aprendizagem dos alunos e superação das dificuldades, cabendo-lhes o
comprometimento com alto padrão de ensino. É evidente que na base estão a
valorização financeira do professor e condições materiais para a busca da
excelência.
À guisa de conclusão, acolho
a síntese do currículo de excelência, com a definição das quatro aptidões:
aprendizes de sucesso, indivíduos confiantes, cidadãos responsáveis e
colaboradores efetivos.
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