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Quando se coloca número após
o título, cria-se expectativa de continuidade. A temática mereceria diversos
desdobramentos, mas vamos ficar em apenas mais um, para não cansar o leitor.
Afinal, é preciso ter sensibilidade com o limite e não tentar esgotar
temáticas, até porque seria impossível.
Diversos retornos
sinalizaram que há saudade da velha e boa escola tradicional. Já estou em
idade de não me aborrecer mais com adjetivos. Aliás, engravidamos certas
palavras, e o uso delas produz no mínimo constrangimento. Qual o professor
que admitirá hoje em dia alguma identificação com a escola tradicional?
Ninguém quer se expor ao ridículo de ser chamado de ultrapassado, cafona,
superado, e outras qualificações que não da freqüência das modernas
tendências pedagógicas. Certamente, estarei me expondo a algumas reações,
mas não importa. Expor opinião sempre representa risco!
Mas voltemos à Escócia e
Irlanda, dois países com excelente nível educacional, respaldados pelas
avaliações internacionais, em que nós amargamos colocação constrangedora.
Por que será? Só apenas por causa das nossas limitações financeiras e pouca
valorização do professor?
Sempre é recomendável dizer
“salvo melhor juízo” (smj), sou da opinião que esses países preservam em seu
sistema educacional o legado e a “tradição”, sem que isto represente algum
constrangimento, com a incorporação (moderno é dizer upgrade) da tecnologia
e internacionalização da educação, em razão do cenário da globalização,
estudando línguas que, no passado, não faria o mínimo sentido, como o
mandarim, por exemplo. E aí, admitamos, a economia tem sua razoável
influência.
Mas a essência do processo
educacional estará sempre na pessoa, a partir do ensinante (o professor) e
aprendente (o aluno), sem jamais minimizar a família e a sociedade. Pude
observar que cada escola - à luz da utopia nacional - tem seu projeto
próprio, construído com autonomia, independente de ser escola pública ou
particular. O projeto é da comunidade escolar, concebido com ampla
participação, sendo os alunos, inclusive, incorporados em decisões da
escola, desde pequenos.
Paira sobre toda essa
realidade a “utopia nacional” de que o projeto de educação é do país, do
estado, e não de determinado governo ou partido. Será que não é grande
diferença de nosso país, quando cada governo quer deixar suas marcas,
desconstruindo o que fora feito antes, quando não criando a maior confusão.
Se não formos capazes de
olhar respeitoso para o passado e sabedoria de garimpar nossos melhores
acertos, não alimentemos esperança de sair, apesar de ilhas de excelência,
do quadro atual da educação brasileira, marcada por pedagogismos de revista
e psicologismo inconseqüente. Sei que estou sendo muito duro, mas, para
nosso bem, é preciso despojar-se de arrogância, vestir o manto da humildade
e ouvir também o que outros tempos têm a nos dizer, incorporando às nossas
práticas os avanços do nosso tempo e os recursos da tecnologia.
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