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Interessante observar como a
águia enseja lições de vida. Não bastasse o próprio vôo da renovação depois
de 40 anos de vida – quando se recolhe no alto do rochedo para substituir as
penas das asas, unhas e bico – deixa-nos preciosos ensinamentos para a
educação dos filhos, hoje área nebulosa e repleta de inquietações e dúvidas,
especialmente para os pais jovens.
Conta-se que “a águia
constrói seu ninho nos mais elevados penhascos. Entrelaça galhos espinhosos,
gravetos e espinheiros de forma que a estrutura suporte o seu peso e o dos
ovos. Esta estrutura é cuidadosamente forrada com materiais macios
combinados com penas arrancadas do seu próprio peito, formando um ninho
convidativo e seguro para os futuros filhotes. Quando os ovos são chocados,
os pequenos filhotes têm um abrigo aquecido, seguro e confortável. Todas as
necessidades são supridas pela mãe e pelo ambiente. A mamãe águia, ao
observar que os filhotes estão chegando à maturidade suficiente para
alcançar o vôo da independência, passa a remover pouco a pouco o material
macio que forra o ninho, deixando-o desconfortável e espinhoso. É natural
que a ninhada sinta-se irritada e impaciente com o remover do conforto. Até
então, o filhote não contava com essa possibilidade. A esta altura não é
preciso muita persuasão para a mãe águia fazer com que o filhote saia do
ninho e pule nas suas costas para o primeiro vôo. Ela voa firme, em
velocidade uniforme e em ângulo ascendente. A pequena águia diverte-se com a
aventura até que a mãe dá uma pirueta e a aguiazinha é lançada no ar em
movimento de queda livre. Desesperada e sem coordenação, a pequena ave bate
as asas, grunhindo como que num misto de protesto e pedido de socorro.
Quando se dá por vencida, ela sente as acolhedoras costas da mãe sob suas
pequenas garras. O exercício de vôo repete-se por dias seguidos, até que o
filhote consegue manter seu próprio vôo. Quando, finalmente, a lição é
assimilada, a jovem águia segue seu destino soltando um longo grito de
gratidão que ressoa docilmente aos ouvidos da mãe, que nunca mais verá o
filho”.
Comovente, não? Que lição
preciosa para pais e mães do nosso tempo – reféns de tantas dúvidas e
incertezas – para a educação dos filhos! Não se educam filhos para a
submissão, mas para aprenderem a usar as poderosas asas, ocultas nas costas
de cada ser humano. E isto é preciso exercitar desde muito cedo, quando se
começa com pequenos exercícios ao redor do ninho, ampliando gradativamente o
vôo para, de repente, bater asas em busca dos acalentados sonhos.
Tenho a impressão de que se
querem formar vencedores, quando deveríamos pensar em filhos que tenham
belos sonhos, exercitem a auto-estima e, ao mesmo tempo, a humildade, e não
se deixem vencer por limitações ou dificuldades.
Fico triste quando vejo
jovens, especialmente com poucos recursos, sem sonhos, como se tudo
dependesse de carteira bem recheada, o que é ledo engano.
Qual o maior legado que os
pais podem deixar aos filhos? Pois acho que é o espírito de luta e exemplo
de vida, que possa encorajá-los a não esmorecerem diante das dificuldades da
vida e, especialmente, os insucessos.
E evidentemente é preciso
que se sintam amparados pelas asas do amor paterno e materno, quando têm de
abandonar o ninho para o vôo da autonomia.
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