|
“Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os
homens de bem nada façam”. Fantástico pensamento de Edmund Burke, que me
leva a um versículo bíblico, não menos impactante, do grande Profeta Amós,
escrito há cerca de 2.750 anos, que tenho citado muito: “Não me admira que,
num tempo mau como este, as pessoas que têm juízo fiquem de boca fechada”.
Parece que cansamos o bico e já não temos mais a mesma
determinação de incutir os princípios fundamentais com que nossos pais nos
educaram. Clara distinção entre certo e errado, honestidade, decência,
justiça, obediência aos mais velhos e aos professores, solidariedade com a
dor alheia e respeito a Deus.
Este conjunto de valores ensejou visão de mundo que se
constituiu em ideal de vida. Educar os filhos com estes parâmetros era
imperativo indiscutível, e quem não o fizesse estaria, no mínimo, se expondo
a sério risco de ver a prole desencaminhada.
A minha vibração com o que observei na Escócia e Irlanda vai
exatamente na freqüência desta reflexão, pois vejam os princípios que
ilustram o escopo que copiei em algumas escolas: aprendizes de sucesso,
indivíduos confiantes, cidadãos responsáveis e colaboradores efetivos. Não é
emocionante poder constatar os elevados objetivos com que as instituições se
comprometem?
Aprendi com os americanos que a escola não está aí para “dar
bomba nos seus alunos”, ou seja, temos de trabalhar incansavelmente pelo
êxito, pelo sucesso, ajudando aqueles que têm mais dificuldade. Nada mais
danoso à auto-estima do que o insucesso, o fracasso. E isto deve também
ficar claro para os pais, para que tentem sempre valorizar as coisas boas e
jamais depreciar os filhos por conta de atitudes erradas. A gente reprova um
comportamento, mas nunca deprecia a pessoa.
É preciso dizer, sim, o que está errado, caso contrário a
pessoa não se dá conta do procedimento incorreto, porém amavelmente, sem
amargura. O grande segredo da educação é o “como” se fazem as coisas.
Palavras podem construir belas mudanças, mas infelizmente também detonam
pessoas, arrasam auto-estima e produzem danos irreversíveis. Alguém anotou
na viagem a seguinte frase numa escola: “Os alunos podem esquecer o que
fizeram por eles, mas nunca irão esquecer o que sentiram ao aprender”.
No convívio com pais e professores, parece que fica cada vez
mais evidente que permitimos a implosão dos mais sagrados princípios, que
balizaram a formação de gerações de pessoas de bem. Resta saber se temos
coragem de retomar mapa e bússola para chegarmos ao porto seguro. Por
enquanto, estamos navegando ao sabor do vento, saboreando a diversidade de
impactos, gerados pela mídia e tudo que rola pela internet, que precisa
ficar sob severa vigilância em casa, sob pena de se entregar a chave da casa
a desconhecidos, enquanto que corremos atrás de incessante atividade,
descuidando-nos das preciosas vidas que nos foram confiadas.
O mundo tem jeito, sim, mediante decidido reposicionamento em
relação à postura clara dos pais na educação dos filhos, e atitudes firmes
diante dos alunos pela direção e professores na escola. Não há outro
caminho. A opção é nossa!
|