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“Em poucas coisas depositamos tanta fé quanto no amor, todo
mundo quer ter um (ou mais). Aos descontentes com a vida, de todas as idades
e sexos, ele parece o remédio universal, o tempero essencial, a sutura
perfeita para o buraco que carregamos”.
Impressionante força de expressão que tem esta frase,
especialmente a passagem que diz que o amor é “sutura perfeita para o buraco
que carregamos”. Você quer saber de quem é? Diana Corso, psicanalista e
cronista.
A frase me pegou, e tenho pensado sobre o tal “buraco que
carregamos”. Tenho me debruçado em reflexões sobre o conteúdo desta
expressão e procurado pensar nas tantas pessoas que não encontram sentido de
vida, mergulhadas nas profundezas de seus sofrimentos, sem forças até para
acreditar na esperança.
Uma vida assim deve ser um inferno, quando deveria ser
poética, espaço de plenitude, tempo emoldurado por emoções, em que houvesse
espaço para as melhores coisas da vida.
Não sei se não fomos nós mesmos que escavamos este buraco, na
desesperada busca por preencher precocemente o tempo da criança por coisas
do mundo adulto, que se deixou envolver pela visão utilitária da vida, em
que se já não há espaço para devaneios poéticos, porque o mercado cobra
resultado.
O que interessa é ter amor no coração para sobreviver neste
mundo cruel e construir um cantinho que seja, para a gente se proteger e se
refazer dos tropeços, que naturalmente acontecem na vida de cada pessoa.
Como é bom conviver com pessoas de bem com vida! E como é
penoso suportar o mau humor de gente que perdeu a esperança e se tornou
amarga! E como é difícil ajudar gente assim. É preciso se blindar para não
ser contaminado com o sentimento de que tudo é problema e de que não há
esperança.
Ocorre-me lembrar passagem de um texto de Martin Luther King:
“O ódio paralisa a vida; o amor a desata. O ódio confunde a vida; o amor a
harmoniza. O ódio escurece a vida; o amor a ilumina. O amor é a única força
capaz de transformar um inimigo num amigo. O perdão é um catalisador que
cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício”.
Será que não temos esquecido de ensinar e praticar o perdão?
Amor não se decreta, amor se aloja no coração e se transforma nos mais
bonitos e nobres sentimentos do ser humano, à medida que se conseguem
superar ressentimentos e transformar mazelas em sentimento renovado e
purificado.
Talvez fosse oportuno lembrar que o amor pode adoecer e até
morrer, mas também pode ressuscitar. E estes momentos são sublimes na vida.
E só se alcança quando estamos em estado encantamento.
A vida é busca constante, cada dia é um novo capítulo, que
precisa ser escrito, e somos nós, queiramos ou não, os protagonistas. Não dá
para ser coadjuvante, é preciso subir no palco, representar e fazer da vida
o espetáculo que ela deseja ser, em comunhão com os semelhantes que, da
mesma forma como nós, são um desejo de viver.
O amor que semearmos ao longo do caminho será como sementes
lançadas ao solo e que se transformarão em flores perfumadas, onde pousarão
belas borboletas, enfeitando o jardim de nossa existência com poesia e
magia. Eis o amor, sempre o amor.
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