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A convite da Revista Amanhã e Todos pela Educação, tive o
privilégio de participar, na semana passada, em São Paulo, de Fórum sobre a
temática epigrafada, com cerca de trinta convidados especiais. A propósito,
registre-se que o evento buscou recolher subsídios para continuidade da
série de fascículos, que já abordou as seguintes temáticas: Protagonistas da
Vida, Ciência Inexata, Eles querem mudar o mundo, Na Escola da vida, Entre
Bits e Letras, A Redescoberta da Língua e Os Sobreviventes do Ensino. A
próxima publicação deverá contemplar como os projetos caminham para que
cheguem à sala de aula, e os alunos aprendam.
Os participantes foram divididos em três grupos para reflexão
sobre os seguintes temas: Alfabetização e aprendizagem, Fluxo e acesso e
Gestão e investimento. Fomos subsidiados por uma série de informações e
indicadores da realidade brasileira bem como em comparação da posição do
país no cenário mundial.
Registram-se, indiscutivelmente, avanços significativos do
país com relação à universalização do Ensino Fundamental, alcançando 97,3%
dos alunos na faixa etária dos 7 aos 14 anos e 88,9% na Educação Básica, ou
seja, dos 04 a 17 anos. São índices alentadores, resultado de esforço
gigantesco do país e investimento crescente na educação pública, com a
criação do FUNDEF, ampliado pelo FUNDEB.
O grande desafio reside, agora, em dar qualidade à
quantidade, porque estatísticas são importantes, mas não podem ser
absolutizadas. Além do mais, os resultados podem ser estruturados de acordo
com o interesse do gestor. Há sempre necessidade de leitura além dos
números.
Tenho bem presente, a realidade que conheci na Irlanda que,
em vinte anos, superou a condição de país mais pobre da comunidade européia,
com alto percentual de desemprego, emigração em massa, para tornar-se
exportador número um de software e primeiro lugar em renda per capita da
Europa.
O segredo está na educação, focada nas seguintes prioridades
nacionais: Progresso e Qualificação, Estrutura do Aprendizado, Inclusão e
Igualdade, Valores e Cidadania e Aprendizado por toda a vida, tendo como
escopo as quatro aptidões: Aprendizes de sucesso, Indivíduos confiantes,
Cidadãos responsáveis e Colaboradores efetivos.
Talvez o grande segredo brasileiro esteja exatamente no
desafio de transformar a educação em prioridade absoluta de toda a sociedade
brasileira, valorizando cada escolinha, nos mais longínquos rincões
brasileiros e, especialmente, reconstruir a autoridade do professor, que
está no centro de todo o processo.
A avaliação externa é olhar de fora para dentro da escola e,
por isso, indiscutivelmente importante, mas não pode ser absolutizada,
porque a escola de excelência não pode ser medida – apenas!– por um exame,
em determinado momento, porque educação lida com o intangível, não
mensurável, que se constrói na relação de afeto, fortalecimento da
auto-estima e estímulo pelo fascínio da aprendizagem. É como se o professor
fizesse uma única prova no final do ano para avaliar os alunos. Certamente,
ninguém aceitaria isso.
Além do mais, educação tem que ser política de estado e não
de governo, superando o confronto de adjetivos entre público e privado e
transformando-se em questão substantiva do país. Talvez por aí se possa
encurta o caminho para um novo tempo.
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